sexta-feira, 9 de maio de 2014

A EUROPA E OS QUATRO CAVALEIROS


(Hoje em Dia) - Desde tempos imemoriais, a Europa foi  marcada pela guerra e pela crença de que seus limites eram os limites do mundo.

Ainda antes de Cristo, dezenas de conflitos mancharam de sangue suas montanhas e vales, mares e rios,  praias e ilhas do Mediterrâneo.

Às invasões dóricas, seguiram-se as guerras entre romanos e etruscos; as que opunham  cidades-estado gregas, como Esparta e Argos; as guerras persas e as sicilianas; as do Peloponeso; as invasões Celtas e as Púnicas.

No primeiro milênio, entre muitas outras, tivemos as Guerras Ibéricas; a conquista romana da Bretanha; as Guerras Góticas; as guerras civis romanas; a Reconquista; as invasões húngaras; persas contra iberos; os Rus contra Bizâncio.
 
O segundo milênio começou com a guerra germano-polonesa de 1002; seguida das expedições genovesas à Sardenha; da conquista normanda da Inglaterra, e depois, da Irlanda; e outras disputas, como a Rebelião Saxônica; a Guerra de Independência da Escócia; a guerra dos otomanos contra os sérvios; a Rebelião dos Münster; a Guerra Anglo-Espanhola; as guerras de sucessão; as Guerras Napoleônicas, etc.

Em extensão, duração, e intensidade, nenhuma se comparou, no entanto, à Primeira Guerra Mundial, com 16 milhões de mortos e 20 milhões de feridos, ao longo dos quatro anos de conflito; e à Segunda Guerra Mundial, com 85 milhões de mortos, em todo o mundo, se incluirmos os que pereceram pelo genocídio, as fomes e as doenças.

A Segunda Guerra Mundial foi tão desastrosa para a Europa, que, mesmo dividida, entre a OTAN e o Pacto de Varsóvia, países como a França e a Alemanha fizeram grande esforço, a partir da Comunidade do Carvão e do Aço, para forjar a Comunidade Econômica Européia e a União Européia, com a esperança de que, ao menos entre eles, as duas maiores nações e rivais do oeste da Europa, não houvesse novos conflitos.

O problema é que, tendo começado como aliança voltada para a preservação da paz, a Comunidade Européia, por meio da OTAN, passou a agir como preposta dos interesses norte-americanos. E, mais tarde, como linha auxiliar dos EUA, em regiões nas quais os europeus já se sentiam nostálgicos de seu antigo poder colonial, como o Oriente Médio e o Norte da África, em países como o Iraque, o Afeganistão e a Líbia.

Nos Balcãs, desmembrou-se a Iugoslávia, mas a intervenção militar posterior não estava voltada contra uma nação determinada, e sim para jogar, uns contra os outros, os pedaços desmembrados do país de Tito.

Ao meter-se na Ucrânia, junto com os EUA, para destruir o país, e promover uma guerra civil, depois de um golpe de Estado,  a UE abandonou, definitivamente, os ideais que lhe deram origem. E voltou a abrir as portas do velho continente aos Quatro Cavaleiros do Apocalipse, que tantas vezes já o percorreram no passado. 

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quinta-feira, 8 de maio de 2014

O OCIDENTE E A CRONOLOGIA DA VIOLÊNCIA UCRANIANA


(Jornal do Brasil) - Com o controle da informação do que sai a propósito da Ucrânia nas mãos dos Estados Unidos e da União Européia, muitos dados sobre a escalada da violência, naquele país, têm sido olimpicamente ignorados, ou intencionalmente ocultados, pela mídia “ocidental”.

Elas representam apenas a ponta do iceberg do que está ocorrendo, em uma situação que lembra as vésperas do Golpe Militar no Chile, e na Argentina, e os dias sombrios que a eles se seguiram:

No dia 22 de fevereiro, em Lvov, Rostilav Vasilko, primeiro-secretário do comitê local do partido comunista da Ucrânia - na legalidade - foi falsamente acusado de ter atirado nos manifestantes da Praça Maidan. Barbaramente torturado por homens encapuzados que ameaçaram matar toda a sua família – hoje se sabe que os tiros partiram de atiradores da própria direita – conseguiu atravessar a fronteira e hoje está na Rússia, recebendo assistência médica.

No dia 23 de fevereiro, foi seqüestrado Alexander Pataman, chefe da Milícia Popular Antifascista de Zaporiyla, que continua desaparecido.

No dia 24, 6 membros do Tribunal Constitucional da Ucrânia foram ameaçados e proibidos de continuar trabalhando.

No dia 5 de março, André Purgin, militante antifascista de Domnetsk, foi sequestrado. No dia 28 de fevereiro, havia vazado uma conversa do governador provisório - indicado pelos golpistas – da região de Dniepropetrovsk, na qual afirmava que era preciso “dizer sim a todas as exigências, a todas as garantias e promessas apresentadas por esses “sacos de m........” - referindo-se à oposição ao novo governo - mais tarde, vamos pegar um por um, e enforcar..”

No dia 6 de março, Pavel Gubarev, também da oposição, foi aprisionado em Donetsk.

Alexander Karitonov, líder local da região de Lughansk, foi detido pela polícia política do novo governo no dia 14 de março.

No dia 17, foi preso e levado para uma das piores prisões de Kiev, Anton Davidchenko, dirigente do partido Alternativa Popular.

No mesmo dia 17, neonazistas de um recém-formado “Tribunal do Povo” de Vinnytsia, invadiu o Hospital Pediátrico da região e exigiu, sob a mira de armas, a renúncia da médica Tatyana Antonets, diretora da instituição.

No dia 17, depois de receber várias ameaças por telefone e correspondência, Antyom Timochenko morreu assassinado, tendo sido encontrado queimado dentro de seu carro.

No dia 20 de março, neonazistas do Pravy Sektor cercaram um ônibus e agrediram estudantes húngaros que participavam de  excursão escolar, em viagem pedagógica à Transcarpatia, e já estavam retornando ao seu país.

No dia 21, em outro atentado, foi incendiada, com coquetéis Molotov, a casa de Victor Medvechuk, que só não morreu porque já tinha abandonado o local e tentava colocar sua família em segurança.

Como o “ocidente” simplesmente se omitiu, chegamos ao que chegamos, com as mortes que estão ocorrendo agora, depois do massacre da Casa dos Sinidcatos em Odessa.

Entre as vítimas, um ponto em comum: todas, como qualquer cidadão ucraniano que tenha mais de 30 anos, nasceram na época em que a Ucrânia era parte da União Soviética e foram atacadas covardemente, quando estavam desarmadas, em minoria, ou na calada da noite.
Quando os neonazistas do Pravy Sektor ucraniano derrubaram a estátua de Lênin, em Kiev, em fevereiro deste ano, uma octogenária de mais de 80 anos, cujo marido deve ter combatido nas Forças da União Soviética, na Segunda Guerra Mundial, enfrentou, dignamente, a multidão coalhada de bandeiras fascistas, para depositar uma coroa de flores em frente à estátua caída do líder da Revolução de Outubro.     

Cercada por brutamontes, ela foi covardemente agredida, pisada, chutada (foto) inclusive no rosto, sem que ninguém interviesse, até ficar desacordada.

Os mesmos fascistas que hoje perseguem os judeus e ciganos nos territórios controlados pelo governo golpista de Kiev, deixaram que a Criméia fosse russificada sem disparar um único tiro, e não são homens para enfrentar os cidadãos de língua russa que estão tomando, a peito aberto, o controle de dezenas de cidades, no oeste da Ucrânia.

Os nazistas também gostavam de espancar e mutilar velhinhos e crianças indefesas, a pauladas, coronhadas e pontapés, como fizeram nos pogroms da Noite dos Cristais, em 9 de novembro de 1938.

Pouco tempo depois, sua coragem se esvaía em fezes, à vista dos soldados do Exército Vermelho, na tomada de Berlim. 

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THE NEXT US COUP D` ÉTAT



By Mauro Santayana, in his blog:

Having triggered the "start" button for the Balkanization and breakup of Ukraine - creating a new problem for Russia at its borders that Putin is facing resolutely - the attention of the fundamentalist right and the "establishment" military and "intelligence" of the United States are turning to Venezuela.

Last week, General John Kelly - not to be confused with the Secretary of State, John Kerry - the highest authority of the Southern Command of the U.S. Armed Forces, which includes South America, Central America and the Caribbean - attended the War Affairs Committee of the Senate in Washington to talk about the crisis in Venezuela.

Kelly acknowledged that "no contact" had been made with the Venezuelan Armed Forces, said that "per hour" they follow true to the government Nicolás Maduro, and suggested that "probably there are pressures, arguments and disagreements within the armed forces of Venezuela on the state of the country."

Furthermore, he recalled that until now Maduro used the police and not the army to control the demonstrations, wanting to imply that the President of Venezuela would not have confidence in his soldiers - which does not mean anything at all, since in Venezuela as in Brazil, the primary assignment of the Armed Forces is dedicated to the defense of their country against external enemies.

The fact that a general, and not a civilian specialist, or a diplomat, attend the Congress, to opine - as a Viceroy - with regard to the situation in Venezuela, is indicative that the reactivation of the Fourth U.S. Fleet corresponds in fact, to the resumption of U.S. neocolonial behavior in Latin America.

Even a website, in Spanish and Portuguese - the instrument that the Brazilian Ministry of Defense or the Defense Council of UNASUR should have already implemented some time ago, facing the military audience - has been placed on the air by Southern Command, conveying complimentary news about police operations, armies and security forces in Latin America, in an attempt to approach and cooptation. By placing a general to speak in Congress, the scammers of the American right are trying to take down Maduro, addressing themselves more to Venezuela than the U.S. legislature.

By doubting the confidence of the Venezuelan President in his armed forces, its intention is to force Maduro to involve them in control of events, to eventually prove his loyalty - something he will do only if he is foolish or in the ultimate case.
...
A virtual civil war in Venezuela, with the mobilization of the poor in defense of the social gains made by Chavez in recent years, would attract the involvement of neighboring FARC, and indirectly, even of Cuba, in the conflict.

The Colombian government would mobilize its armed forces to fight against the FARC on Venezuelan territory, with the support of the soldiers and "instructors" that are installed today in U.S. bases in Colombia.
This would pave the way for direct intervention - and possibly temporarily - of the U.S. in the region, through the Fourth Fleet, recently reactivated, and Southern Command itself, commanded by John Kelly himself.
Some might think that Washington would not be politically and economically prepared to enter into a new conflict. To the fundamentalist right in the U.S. that is the least important.

After dismissing the Chavez threat , destroying Venezuela by balkanizing - as it did with Iraq - the U.S. could " borrow" the theater, having reached three major geopolitical objectives:

Further weaken the economy of Cuba , which would depend on Russian support if it wanted to support Maduro; prevent Venezuelan oil continuing to be used in the future in supporting countries who do not play by the U.S. playbook, and derail or delay for decades the process of union and integration of the South American continent, which has been - as seen in the countries of CELAC in their vote at the last meeting of the OAS - firmly and competently conducted.

The U.S., however, is mistaken. Venezuelan students want Maduro's reforms but do not deliver their country to a pro-American teleguided opposition. You cannot enjoy the conditions of Venezuela to play race against race, as is happening in Ukraine, with the Tatars, Russians and Ukrainians - or other countries newly "democratized" by the U.S., such as Iraq, with Sunni, Shia and Kurds, or in Egypt, with Christians and Muslims, for example.

As for the coup in Ukraine, there are indications that armed snipers hired by the right-wing protesters, fired on the crowd,  to put the blame on the government, and lead to the overthrow of Yanukovich. The same tactic was used in the last coup in Venezuela in 2002, when it tried to overthrow Chavez for the first time, falsely accusing Chavistas of having shot against opponents.

The people went to the street, Chávez, who had been arrested, was released, and the members of the new government, in full induction ceremony, pale with fear, had to flee the Miraflores Palace. About this, see this piece Irish journalists, a magnificent documentary that can be viewed on the link
https://www.youtube.com/watch?v=MTui69j4XvQ

It is an extremely didactic work about what happened with Venezuela in the past. And what - for better and for worse - could happen in the future.





quarta-feira, 7 de maio de 2014

A ALEGRE PROPOSTA DO SANTANDER


(HD) - Quando estavam no auge as expulsões de milhares de brasileiros da Espanha, de aeroportos nos quais ficavam, às vezes, por dias, trancados em salas insalubres, sem contato com nossas autoridades consulares, os espanhóis sonhavam em entrar para o G-7 e diziam ser a oitava potência econômica do mundo.

Foi com esse tipo de conversa, e graças a bilhões de euros em ajuda dos fundos da União Européia, e a outros bilhões de euros em dívida, que suas companhias e seus “empresários”, chegaram ao Brasil nos anos 1990, para aproveitar o desmonte de vastos setores da economia brasileira.

Naquele momento teria feito fortuna quem tivesse comprado a Espanha pelo que ela realmente valia, e vendido pelo valor que boa dos espanhóis lhe atribuía.

Hoje, a Espanha é a décima quarta economia, seu PIB diminuiu 1.2% em 2013, o desemprego é de 26%, a dívida pública líquida está em 96%, e suas reservas são de aproximadamente 20 bilhões de euros, enquanto as nossas são de mais de 370 bilhões de dólares.

Por lá, o número de residências sem nenhuma pessoa empregada na família alcançou quase dois milhões, no primeiro trimestre, a população ativa baixou em 187.000 pessoas, e milhares de famílias foram despejadas desde 2008, por falta de pagamento da prestação da hipoteca, mais de 80.000 apenas no último ano.

E, como costuma ocorrer a cada duas gerações, seus desempregados partem, novamente, para outros países, inclusive o nosso, em busca de futuro.

Mesmo assim, as empresas espanholas e seus “executivos” no Brasil não perdem a pose. E agem como se fossem acabado exemplo de competência e modernidade, sem deixar de pavonear a suposta “Marca Espanha”. Mesmo que estejam devendo dinheiro e impostos ao governo federal e tenham prejudicado milhares de investidores brasileiros.

A VIVO, por exemplo, deve três bilhões de reais ao BNDES, e contesta na justiça mais seis bilhões de reais em impostos devidos à Receita Federal, embora haja contratado, a peso de ouro, por um período, o genro do Rei Juan Carlos, acusado de corrupção, e envie centenas de milhões de euros em remessas de lucro para a matriz todos os anos.

No caso do Santander, quem foi na conversa do Sr. Emilio Botin (foto) quando da estréia do banco na Bovespa, em 2009, já perdeu 45% que investiu.

Agora, “generosamente”, Botín acaba de anunciar a intenção de recomprar 25% do capital do Santander Brasil, que vendeu para seus “sócios” brasileiros a 22,50, a ação, há cinco anos, por 12,74 a unidade, mais um “prêmio” de 20%, o que dá um total de 15,28 reais.

A intenção, segundo a imprensa espanhola, é, além de embolsar a diferença, aumentar, com esses papéis, o lucro da matriz, em meio bilhão de euros por ano, a partir de 2015.


Quem aceitar a proposta, não receberá dinheiro, mas sim outras ações que Botin está emitindo na Espanha, no valor de 665 milhões de euros. Resta saber quanto ele oferecerá por elas, se vier a recomprá-las, daqui a alguns anos. 

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segunda-feira, 5 de maio de 2014

A PERENIDADE DO MAL E A BATALHA DOS JUSTOS



(Jornal do Brasil) - O mundo comemorou na semana passada o Dia do Holocausto judeu. Em nome de um mito - a escolha de Jesus por uma multidão, no lugar de Barrabás, às vistas de um Pilatos de mãos recém lavadas, para percorrer as estações da Paixão, até seu definitivo encontro com o Pai, no alto do Gólgota - os hebreus foram discriminados, roubados, torturados e assassinados por quase dois mil anos, até encarar, em lugares como Auschwitz-Birkenau, Maydanek, Sobibor, Bergen-Belsen, Dachau, Terezin, Babi Yar, Treblinka, o ponto culminante de seu calvário.

Jesus era judeu – e seis milhões deles foram exterminados na Europa - mas poderia ser cigano, um povo que vaga, quase que desde a mesma época, pelo mundo, e que perdeu, nos mesmos campos de extermínio erguidos pelos nazistas da Divisão da Caveira, quase dois milhões de homens, mulheres e crianças. Muitas como vítimas de experiências médicas, como as do Dr. Joseph Mengele (foto), que injetava tinta nos olhos de meninos e meninas em Auschwitz e dissecava gêmeos com poucos dias de vida, logo depois de chegados ao campo.

Jesus era judeu, mas poderia ter sido um dos 30 milhões de russos, que morreram na Segunda Guerra Mundial, muitos deles executados e enterrados em valas comuns logo que os assassinos dos Einzatzgruppen chegavam, precedidos das tropas da Wermacht, para cumprir sua tarefa de matar  comunistas - o que incluía a maioria da população soviética - quem soubesse ler e escrever, os judeus, os ciganos, e os vira-latas, para que o Exército Vermelho não os adestrassem para entrar debaixo dos Panzers alemães, com minas antitanque amarradas na barriga.
  
O virulento retorno do anticomunismo; a tentativa solerte de comparar o comunismo ao nazismo, quando foram os  comunistas que derrotaram os nazistas, na Batalha de Stalingrado, no cerco de Leningrado, até o covil do diabo, na Batalha de Berlim, levando Hitler e outros dirigentes nazistas ao suicídio; o aumento do número de internautas que propugnam, livremente, o assassinato de suspeitos, a institucionalização da tortura, e a quebra do Estado de Direito, com o fim do voto e a instauração de nova ditadura; tudo isso mostra que os demônios do conservadorismo e da ignorância continuam unidos, em tenebroso pacto, e conspiram para arrebatar corações férteis para o ódio e o preconceito. Como nas vésperas da chegada de Hitler ao poder, que levou ao sadismo ensandecido dos campos de extermínio.


O Dia do Holocausto Judeu, que nos lembra também outros holocaustos perpetrados pelos nazistas, como o dos aleijados e doentes mentais, o dos padres e pastores, o dos comunistas e socialistas, o dos homossexuais, o das Testemunhas de Jeová, serve para manter viva em nossa memória a noite que se abateu sobre a Europa há 75 anos, há não mais que alguns instantes, portanto, em termos históricos. E a necessidade de estar sempre atentos ao mal e a combatê-lo, cortando sua cabeça, que renasce, como as da Hidra, todas as vezes que ela insistir em se erguer, passando por entre as gretas que nos separam do inferno, para se insinuar em nosso mundo.           

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domingo, 4 de maio de 2014

DE LIVROS E DO TEMPO


(Hoje em Dia) - As tribulações de Lucius Apuleius, em O Asno de Ouro; Sherazade e seus mágicos relatos de As Mil e uma Noites; os heróis imortais da China ancestral do Romance dos Três Reinos; a impositiva beleza da Princesa Kaguya, do Japão milenar do Conto do Cortador de Bambu; o sal e o corte de Os Lusíadas; a ironia e a graça de Rabelais, em Gargântua e Pantagruel; as aventuras de Robinson Crusoé, de Defoe, ou do inesquecível Lemuel, das Viagens de Gulliver, de Jonathan Swift; nada disso existiria, nenhum desses personagens teria servido de amigo, de matéria para os sonhos, de solidária companhia, para milhões de homens, ao longo dos séculos, se os livros não os tivessem trazido até aqui.


E o que dizer de Guerra e Paz, de Tolstoi, de O Corcunda de Notre Dame, de A Queda da Casa de Usher, de Os Miseráveis, ou de Germinal?


Ou de Garcia Marquez, Eduardo Galeano, Machado de Assis, Jorge Amado, Carlos Drummond de Andrade, Fernando Sabino, João Guimarães Rosa, Wander Piroli, Murilo Rubião ?


Os livros são como o próprio Aleph, de Borges, que concentra toda a realidade do universo em único ponto, como eles reúnem a experiência e a imaginação dos homens em suas páginas, letras e linhas.


Tecido com o coração das longas hastes, colhidas às margens do Nilo, por diligentes fabricantes de papiro; lixado, desbastado e prensado, até o couro se transformar em pergaminho; abrigado, por tanto tempo, na escuridão das câmaras mortuárias das pirâmides egípcias e nas prateleiras tubulares da Biblioteca de Alexandria; copiado, à luz de velas, e das amplas janelas dos scriptoriumsdas abadias medievais, por gerações de monges que nele teceram a delicada e persistente trama dourada das iluminuras, desenhando, com longas penas de ganso, serifa a serifa, as letras dos textos bíblicos, da filosofia, da ciência, da história; escrito pelos revolucionários, contrabandeado pelos perseguidos, nau e asas dos injustiçados, leme dos que mudaram o mundo, o livro continuará, conosco, no futuro.


Nossos netos poderão achar os mesmos textos nas frias nuvens de bits, nas telas dos tablets e dos smartphones, ocultos nos algoritmos que as máquinas guardam e traduzem, até serem quebradas e derretidas para fazer novas memórias, placas e processadores.          


Mas nada poderá substituir, ou superar, a sensação de imaginar, ao acariciar uma capa antiga, a vida de quem a encadernou.


De descobrir, ao abrir um volume de aventuras, a dedicatória, escrita, com esmero, a tinta de tinteiro, por um pai para seu filho de 10 anos.







quinta-feira, 1 de maio de 2014

A RÚSSIA, OS OGM, A COBIÇA E A MORTE.



(Hoje em Dia) - O Governo russo, em plena crise ucraniana, acaba de tornar oficial a decisão de proibir a entrada, no país, de qualquer alimento transgênico, ou derivado de organismos geneticamente modificados.

 “É necessário proibir os OGM e impor uma moratória durante dez anos. Assim, nós poderemos planejar as experiências, os ensaios, e, possivelmente novos métodos de pesquisa que posam ser desenvolvidos. Ficou provado, não apenas na Rússia, mas também em outros países do mundo, que  os resultados obtidos até agora são perigosos, e precisam ser rigorosamente monitorados. O consumo dos OGM pode conduzir a tumores, câncer e obesidade em animais. A biotecnologia merece ser desenvolvida, mas a produção transgênicos tem que ser paralisada, afirmou, em declaração à imprensa, Irina Ermakova, da Associação Nacional para a Segurança Genética da Rússia.

Uma das maiores preocupações russas com a Ucrânia, reside também justamente no avanço da utilização de sementes transgênicas naquele país, por intermédio de empresas como a Cargill, que acaba de comprar parte considerável da UkrlLandFarming - uma empresa ucraniana que controla meio milhão de hectares de terra - e a Monsanto (foto) que já é responsável pela venda de 40% das sementes usadas pelos agricultores ucranianos.

Os russos se preocupam com a penetração dessas sementes transgênicas pela vasta fronteira russo-ucraniana; temem a contaminação de seu vasto território e dos alimentos consumidos pela população russa por agrotóxicos como o glifosate.
Agências norte-americanas de ajuda internacional, como a USAID, são obrigadas, por lei, desde o ano 2.000, a não impor barreiras à compra de alimentos transgênicos para seus programas de auxílio ao Terceiro Mundo.

No momento em que, segundo denúncias de ambientalistas, a Monsanto, aproveitando as negociações do Acordo de Parceria Transpacífico, pretende diminuir as barreiras existentes para seus herbicidas e suas sementes, a proibição russa - como maior país do mundo em extensão territorial e um dos maiores produtores de trigo - pode ser decisiva e entravar os planos da empresa norte-americana.

Para o Brasil, no entanto, a notícia pode não ser boa. Nosso país pagará, agora, um alto preço por sua lassitude na aprovação de organismos transgênicos nos últimos anos - que envolve suspeitas de corrupção, em processo de investigação - e pela disseminação, sem controle, em anos recentes, de cópias de sementes transgênicas, a partir das regiões de fronteira.

Justamente no momento em que a Rússia, por causa do conflito ucraniano, pretende substituir a importação de alimentos ocidentais por outros fornecedores, principalmente do BRICS, do qual o Brasil é o maior produtor-exportador de alimentos, corremos o risco de perder essa oportunidade, por não ter soja natural suficiente, ou estrutura confiável de fiscalização e transporte de nossas exportações. 

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