segunda-feira, 4 de junho de 2018

O TCU E OS “PREJUÍZOS” DO BRASIL NA VENEZUELA E EM CUBA.



(Do blog com equipe) - A imprensa informa que o Tribunal de Contas da União estaria “investigando” as administrações  petistas por supostos prejuízos dados ao BNDES, com o financiamento, em condições subsidiadas, de governos “vermelhos”, como os de   Cuba e Venezuela, na construção de obras como o Porto de Mariel e o metrô de Caracas.
O financiamento da exportação de serviços e obras para o exterior vem do tempo dos governos militares, vide as obras da Mendes Jr. no Iraque, por exemplo.
Segundo publicado, os "subsídios" a Cuba teriam ocorrido no prazo concedido para pagamento, com 300 meses para pagar no lugar dos 120 usuais.


Tudo isso, na extraordinária quantia de 68 milhões de dólares, oito vezes menos do que o Brasil exporta por dia; 0,03% do 1 trilhão de reais que, segundo o impostômetro, foi arrecadado pelo governo neste ano, até ontem, 4 de junho ; ou mais ou menos o que o governo federal transferiu do orçamento público para os  bancos, em juros, a cada 5 horas, no ano passado, sem gerar um miserável emprego, com relação aos que foram criados para brasileiros, dentro e fora do país, pelo projeto do Porto de Mariel, na engenharia, na fabricação e transporte de veículos e equipamentos, etc, etc, etc.

A imprensa brasileira também "informa" que o porto cubano seria um fracasso devido ao esfriamento da aproximação dos EUA com Cuba com a vitória de Trump e o pequeno número de empresas instaladas na sua zona de desenvolvimento até agora.

Até fevereiro deste ano, já estavam funcionando na zona industrial do porto a sul-coreana Arco33, a Womy Equipment holandesa, a francesa Bouygues, a portuguesa Engimov Caribe, a espanhola Tecnologias Constructivas, a Bihn Global do Vietnã, e até mesmo grandes multinacionais ocidentais como a UNILEVER e a Caterpillar..

Por outro lado, pode ser um equívoco achar que o projeto do Porto de Mariel foi feito pensando apenas na proximidade com os EUA, embora esta possa ser importante para ele no futuro.

O que está por trás do seu projeto é, principalmente, a construção pela China do canal inter-oceânico da Nicarágua, que concorrerá com o canal do Panamá, e que está programado para receber mais de 5000 navios por ano.

É para esse canal que o porto cubano operará como entreposto de containers, com o transbordo de mercadorias fabricadas na China para navios menores, para distribuição dirigida para seus clientes finais nos quatro quadrantes do Atlântico.     


Já no caso venezuelano, Caracas teria dado um “calote” de pouco mais de 300 milhões de dólares ao Fundo de Garantia à Exportação e  ao Banco Credit Suisse.


Vinte vezes menos, portanto, que o lucro que o Brasil teve no comércio com a Venezuela, apenas em 2012, quando o superávit com aquele país foi de 6 bilhões  de dólares - ou quase 20 bilhões de reais, com tudo o que isso representa em termos de empregos - líquidos - em nosso país para possibilitar a exportação de bens nesse valor.

Tudo isso alcançado graças, justamente, à política de aproximação com a Venezuela, obtida também, naturalmente, com o financiamento de projetos de engenharia naquele país pelo BNDES.

Como fazem, com seus bancos de fomento, em todo o planeta, as nações mais poderosas do mundo.


O EXIM, Export-Import Bank of the United States, o BNDES dos EUA - para quem defende que só se invista aqui dentro, um país com mais de 40 milhões de miseráveis  segundo o USA Census Bureau e sequer um sistema de saúde pública que possa atender mal e porcamente, como muitos afirmam que acontece aqui, o cidadão comum norte-americano - investiu, apenas nos últimos 5 anos,  140 bilhões de dólares no financiamento em exportações e obras no exterior, gerando, aproximadamente. 785.000 empregos.


O mesmo fazem outros bancos públicos semelhantes, do Japão, Coréia do Sul, China - o maior do mundo - e Alemanha.


Que, naturalmente, como qualquer quaisquer outras instituições financeiras, têm prejuízos em algumas operações e ganhos em outras.


Cumprindo todos eles, no entanto, um papel fundamental na projeção geopolítica de seus respectivos países no exterior, como tem que fazer, bem ou mal, o Brasil, que não pode ficar fazendo conta de padaria, tratando-se, como se trata, da nona maior economia e do quinto maior território e população da planeta.


Desta nobre esfera azul, na qual, ao contrário do que insiste em dizer o discurso neoliberal hipócrita e mendaz vigente, o Estado está cada vez mais forte e presente, como mostram exemplos como a própria China e o "pacote" de investimentos de um trilhão de dólares em infraestrutura, projetado pelo governo Donald Trump para reaquecer a economia dos EUA.     


Uma realidade que se faz questão de manter ignorada, quando não é ridicularizada e desprezada pela raça de vira-latas entreguistas e americanófilos apátridas em que estamos nos transformando.


Mesmo assim, se o negócio dos Ministros do TCU é medir um país como uma quitanda de esquina, pelas meras colunas de perdas e ganhos - como uma nação que não merece ter maiores preocupações estratégicas ou  legítimos anseios geopolíticos - vamos aos números, da Brasil Ltda (ou S.A,  como queiram) no tempo em que esteve sob a “antiga” direção, indicada pelo voto direto, entre os anos de 2003 e 2015, período no qual o PIB brasileiro em dólares  chegou a se multiplicar por cinco, depois de recuar - segundo estatísticas do próprio Banco Mundial, junto com a renda per capita - nos malfadados oito anos do governo neoliberal de Fernando Henrique:


Lula e Dilma deram um prejuízo de menos de 400 milhões de dólares ao Brasil em empréstimos do BNDES a empresas brasileiras  - para a criação de empregos com essas operações, para brasileiros, dentro e fora do Brasil, por meio da exportação desses serviços para Cuba e Venezuela?


Não, senhores conselheiros do Tribunal de Contas da União.


Na ponta do lápis, eles deram mais de 800 vezes esse valor, em dólares, de lucro ao país, com o pagamento da dívida com o FMI, de 40 bilhões de dólares em  2005, e o acúmulo de mais 380 bilhões de dólares em reservas internacionais - boa parte delas em comunistíssimas aplicações em títulos do governo norte-americano - que nos levaram à condição que ainda conservamos, a duras penas - de quarto maior credor individual externo dos Estados Unidos, como os senhores podem conferir no site oficial do tesouro dos EUA, procurando por mayor treasuries holders no Google.


Sem aumentar - como se mente descaradamente por aí - a dívida pública, já que tanto a Bruta como a Líquida foram entregues por Dilma Roussef a Michel Temer em patamares inferiores aos que estavam, com relação ao PIB, às vésperas de Lula assumir o poder, em dezembro de 2002.

Os governos Lula e Dilma deram prejuízo ao BNDES?


Não que se saiba, por mais que se tente enganar e manipular a população brasileira.


Fora os mais de 1.2 trilhões de reais deixados em reservas internacionais, eles ainda legaram ao país, no caixa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, mais 260 bilhões de reais em dinheiro, que foram usados criminosamente pelo governo Temer para pagar “adiantadamente” ao Tesouro uma dívida que poderia ser liquidada, como estava programado, em 30 anos.


Uma verdadeira montanha de recursos que poderia ter sido utilizada na retomada de obras interrompidas de forma suicida pela justiça nos últimos quatro anos.


Para tentar substituir ao menos alguns das centenas de milhares de empregos eliminados sem nenhuma necessidade - para investigar corruptos não é preciso nem se deve massacrar empresas e riqueza, trabalhadores, investidores, acionistas, fornecedores - pela autêntica bomba de nêutrons da Operação Lavajato.


Seria bom que certos órgãos - cuja assessoria tem plena ciência desses dados - e certa mídia deste país, parassem agir como se estivessem se esforçando para ludibriar o Brasil permanentemente, mostrando apenas um dos lados da moeda.


Por mais que se tente, com isso, imbecilizar a nação, a verdade é que nem todos, neste país, pertencem à  espécie - que vem se multiplicando, nos últimos tempos, principalmente na internet, como vermes imersos em chorume - dos idiotas e energúmenos.

sexta-feira, 1 de junho de 2018

MORO E A APOSTA DOS EUA


(Do blog com equipe) - Da mesma forma que a História não desculpará ao Supremo, por sua leniência, a intervenção da Lava Jato no processo político e eleitoral em curso, com a surreal condenação e prisão de Lula e a  clara, direta consequência da entrega do país - se as coisas continuarem como estão - a Bolsonaro em outubro, ela não perdoará à mesma operação a destruição neutrônica do Brasil e da engenharia brasileira e o enterro judicial dos projetos estratégicos que estavam destinados a aumentar a nossa independência e soberania frente a outras nações.


Nesse sentido - como já foi lembrado - é emblemática a ainda recente imagem em que aparecem, sorridentes, cumprimentando-se, o Sr, Pedro Parente e  o Sr. Sérgio Moro e sua esposa.


Tirada há duas semanas em Nova Iorque, em jantar patrocinado por bancos no qual, apesar disso, a Petrobras pagou 26.000 dólares por uma das principais mesas - olhaí, alegre consumidor, para onde vai a grana dos sucessivos aumentos da sua gasolina - de um evento em que um convite custava 1.200 dólares (cerca de 4.000,00 reais) por cabeça, ela é um fiel e bem acabado retrato do Brasil dos dias de hoje


De um lado, vemos o homem-símbolo de uma operação que, envolvendo o Judiciário e o Ministério Público,  interrompeu dezenas de bilhões de dólares em obras, entre elas, por suspeita de superfaturamento, a expansão do projeto da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, que tinha como objetivo, com uma produção planejada de 230.000 barris por dia, contribuir para que o Brasil atingisse a autosuficiência na produção interna de óleo diesel.


Um  passo imprescindível para que se impedisse situações como a que o país vive agora, quando nossa dependência externa nesse quesito ficou escancarada com a greve dos caminhoneiros e o cerco pelos grevistas a portos por onde entram, em território nacional, milhões de litros de combustível importado, todos os dias,  principalmente dos EUA.


Na outra ponta desse cordialíssimo - e sorridentíssimo - aperto de mão, que o fotógrafo registrou para a História - que sempre dá um jeito de entrar como penetra nesses regabofes - estava o homem que esteve desmontando e entregando a Petrobras aos gringos nos últimos dois anos - das reservas do pré-sal às portentosas refinarias e gasodutos construídos pelos governos de Lula e Dilma Roussef ao longo de 13 anos, enfrentando sabotagens e resistências de todo tipo.


Um gênio da raça - desembarcado da máquina do tempo vinda dos fabulosos anos de FHC - que estava fazendo da venda de petroleo bruto lá fora e do aumento da importação de combustível dos Estados Unidos, com alto valor agregado, a pedra angular de sua administração à frente da Petróleo Brasileiro Sociedade Anônima.


O engenhoso condutor - não esqueçamos - da espetacular política de reajuste de preços da maior empresa do país, que, baseada justamente no atrelamento da Petrobras ao mercado externo, levou à paralisação da nação, com uma greve de caminhoneiros.

Um movimento infiltrado - e afinal sequestrado - por fascistas golpistas, que mergulhou o Brasil no maior desastre logístico de uma longa série de infortúnios, inaugurada quando a frota de Cabral - o navegante, não o governador - perdeu em um naufrágio a sua "Ventura', uma caravela com 150 homens e muitas provisões a bordo,  aos cuidados do comandante Vasco de Ataíde, no dia 22 de março de 1500, quando ainda estava a caminho desta gloriosa terra que hoje connecemos pelo nome de Brasil.


Não estranha, diante da situação,  que os dois tenham se encontrado, por ironia. em um convescote realizado em um lugar curiosamente mais (que, talvez) apropriado a ofídeos, o Museu de História Natural de Nova Iorque - em sagrado solo norte-americano, país ao qual os dois prestam, em consequencia direta e indireta de seus ações, inúmeros e relevantíssimos serviços.


Não apenas ao “stablishment” mais poderoso do mundo, mas à nação que, em troca da fidelíssima “cooperação” na luta contra o crime e em defesa de seu trumpiniano e elasticíssimo conceito de democracia -  vide seu implacável combate à busca de autonomia por outros países, incluído o nosso - premia direta e indiretamente nosso celebrado juiz de Curitiba organizando para satisfação de seu modestíssimo ego encontros desse tipo, que incluem, ao fabuloso herói tupiniquim deste simulacro de nação em que nos transformamos, a pública outorga, regada a champanhe, de rapapés e salamaleques, espelhinhos e miçangas.


Daqui a cinquenta anos, como monumento aos sonhos naconalistas da era Lula e Dilma, o que sobrará das refinarias, gasodutos, hidrelétricas, navios, plataformas de petróleo, submarinos, erguidos ou fabricados ao longo de 15 anos, depois de décadas de estagnação e de descaso, em que neste país não se construiu nenhuma obra desse porte?



As ruínas de gigantescos projetos interrompidos judicialmente - em decisões em que a irresponsabilidade estratégica só não é maior do que a falta de bom senso e a ignorância geopolítica - e uma ou outra obra que, se miraculosamente concluída, já estará, como todas as outras em sua condição, definitivamente desnacionalizada, entregue ao controle estrangeiro por um governo patético e lastimável, que não precisava, com a desculpa de ter sido convocado para “salvar o país” ou de estar “quebrado” - com 1.2 trilhões de reais em caixa em reservas internacionais herdadas - fazer exatamente o contrário do que faziam, em termos de política industrial soberana, as administrações que o precederam.

Apresentado pelo último ganhador da mesma homenagem, um esfuziante ex-prefeito de São Paulo, para cuja empresa daria uma palestra em Nova Iorque no dia seguinte, na qual negou, entre uma brincadeira e outra, ser agente da CIA, nosso badaladíssimo juiz - que - segundo a Folha -  escutou apelos de “Moro Presidente” quando subiu ao palco, enquanto cidadãos brasileiros e norte-americanos se manifestavam gritando “Moro salafrário, juiz partidário” do lado de fora - concluiu seu discurso dizendo que por aqui não existe risco de ruptura democrática e que os EUA podem apostar no Brasil de hoje.

Ora, no Brasil não existe risco de ruptura democrática porque nossa democracia já vem sendo estilhaçada desde 2006 pelas mãos do próprio Judiciário, quando foram elevados à condição de jurisprudência, borrachudos casuísmos como a versão tupiniquim da Teoria do Domínio do Fato,  levada a extremos nunca dantes navegados, e outros como mandar condenados para a cadeia sem provas, com a permissão da "literatura jurídica" e de outros subterfúgios verbais dignos de contorcionistas javaneses do Circo de Jacarta.

Ora, se fôssemos o Tio Sam, incluindo seus grandes grupos de engenharia que não precisam mais se preocupar com a concorrência de empresas brasileiras ou com financiamentos do BNDES no exterior; suas grandes petrolíferas, como a EXXON, que acaba de botar a mão, a preço de banana, em dezenas de milhões de barris das reservas do pré-sal, com isenção de impostos por 25 anos para a importação de produtos e serviços estrangeiros; ou os “falcões” de Washington que estão adorando ver homens como o pai do programa brasileiro de enriquecimento de urânio, o Vice-Almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, condenado a mais de 40 anos de prisão; e Lula, que criou o BRICS, a UNASUL, e o Conselho de Segurança da América do Sul, atrás das grades e impedido de concorrer por um processo e um julgamento espúrios, à Presidência da República; contando, no Brasil, com amigos como o Meretíssimo Magistrado e - dentro ou fora da Petrobras - Mister Pedro Parente, e considerando os resultados alcançados até agora, em tempo recorde, com esse jogo, nós também dobraríamos o cacife e apostaríamos regiamente em seu país e em festejos e jantares como esse, como os Estados Unidos estão fazendo, mister Moro!

quinta-feira, 31 de maio de 2018

AUDÁLIO DANTAS E ALBERTO DINES: O BRASIL CADA VEZ MAIS ÓRFÃO DE SI MESMO.




(Do blog com equipe) - Poucos dias depois da despedida de Alberto Dines, outro companheiro de incomensurável importância para o Brasil e para o jornalismo brasileiro, nosso amigo Audálio Dantas, nos deixou, ontem, a todos que amam este país, um pouco mais órfãos de nós mesmos.


Um de seus mais importantes gestos de amizade, mas não o último, foi nos dar a  honra de receber das mãos de Juca Kfouri, em outubro de 2015, o Prêmio Especial Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos,  que depois foi entregue, em mãos, na nossa casa em Brasília, em afetuosa visita da companheira Ana Flávia Marx.


Para Audálio Dantas e Alberto Dines,  ficam estas palavras, que dormiram muito tempo na gaveta, desde que foram rabiscadas,  entre “cañas” e “tapas”, em uma noite solitária, em um bar de Madrid, na década de 1980:  


Los que luchan,
no parten.


Comparten.

El pan endurecido del coraje. 


La sangre que corre,
curtida en
odre de sudor y sal,
en sus venas solidarias.


Como el vino de uvas
veranas,
de soles antiguos,
paridas por la luz
del tiempo
insano
en la cara
de las montañas,
con prisa,
antes que la piedra
vuelva a ser arena,
serena,
en las orillas
de los horizontes.


Los que luchan,
no parten.


Brillan,
como el hidrógeno,
en el interior
de las estrellas.


Para donde vuelan,
como cohetes,
con la fuerza del inercial impulso
de su propio ímpetu.


Y pulsan,
en el corazón del futuro,
su memoria y su ejemplo.

quarta-feira, 30 de maio de 2018

INFILTRADOS É EUFEMISMO. O NOME DESSE BICHO É FASCISMO !



(Do blog com equipe) - A leitura dos principais jornais e portais da internet brasileira, cuja cobertura privilegia aspectos como o abastecimento de alimentos e a retomada da venda de combustíveis pelos postos e distribuidoras, mostra como no Brasil a mídia continua fazendo o perigoso jogo  da avestruz que, enfiando a cabeça no meio da areia, prefere tapar o sol com a peneira no lugar de discutir o que realmente está acontecendo com o país, tanto do ponto de vista jornalístico quanto do nosso destino político.

Mais que o desabastecimento provocado pelos bloqueios dos caminhoneiros, o que importa é a emersão impune e violenta, mais uma vez, da extrema-direita na vida brasileira, com a rápida mobilização de milhares de canalhas por meio do Whatsapp, para se assenhorearem de um movimento de protesto, como aprenderam a fazer desde que inauguraram com sucesso essa tática nas famigeradas jornadas de junho de 2013.

Fosse mais organizada, ao menos estrategicamente, a esquerda teria chegado primeiro aos bloqueios, obviamente sem camisetas e lenços vermelhos, não para defender um golpe de estado, mas uma bandeira muito mais cara aos grevistas legítimos, a volta da política de preços - equilibrada e consciente - da Petrobras dos tempos de Lula e Dilma.   

Em 2013, as manifestações foram  tratadas pelo governo e pela imprensa, como se fossem movidas pelo anseio de democracia, quando o que verdadeiramente escondiam - também com financiamento e infiltração externa - era o germe da fragmentação da República e da destruição do presidencialismo de coalizão que, com todos os seus defeitos, tinha nos trazido - apesar dos sinais mais que premonitórios do distorcido julgamento do “Mensalão” - até as vésperas da Copa do Mundo, com um mínimo de paz, de equilíbrio institucional e de governabilidade.

Dois aspectos marcaram esse processo:

O primeiro e mais evidente, o retorno da extrema direita ao universo político nacional, depois da aventura integralista dos anos 1930 e da derrota dos extremistas no contexto da própria ditadura militar, com o desfecho da crise provocada pelos assassinatos de Vladimir Herzog e de Manoel Fiel Filho, que culminou com a destituição do General Ednardo D´Ávila Mello e do Comandante do Exército, o General Silvio Frota pelo Presidente Geisel.

Mesmo que os radicais nunca tenham sido, de fato, totalmente controlados, como mostraram os atentados terroristas contra a ABI e o que matou a secretária da OAB, Dona Lyda Monteiro da Silva e a tentativa - frustrada pelo destino - de explodir uma bomba dentro do Riocentro, no governo Figueiredo.

Pela simples e cristalina razão de que a serpente do autoritarismo de direita, agora descaradamente voltada para a defesa da tortura, do genocídio e do retorno de um governo militar ao poder, além do fechamento do Congresso e do fim das eleições no país, nunca foi enfrentada com firmeza e com coragem pela sociedade brasileira.

Os covardes, como mostra a História, quando não são combatidos desde o ninho, crescem, em perversidade e violência, até o massacre de velhos, mulheres e crianças, como ocorreu com  o nazismo, que - não se iludam - subiu na base da mentira, da chantagem, da ameaça e fa brutalidade, exatamente como está ocorrendo no Brasil agora, sem nenhuma resistência digna de nota.

Por que isso ocorreu?

Porque, em primeiro lugar, vide O PT, O PSDB E A ARTE DE CEVAR OS URUBUS - a geração que lutou pela volta da democracia despreocupou-se totalmente da doutrinação democrática da população brasileira - em grande parte ignorante, manipulável, facilmente influenciável - no sentido não apenas do ensino da importância da liberdade como primeiro valor e principal conquista e riqueza de todo ser humano. mas também dos direitos e deveres do cidadão consubstanciados na Constituição de 1988.

É incrível que, mais de três décadas depois da reconquista do direito de voto para Presidente da República, tal conteúdo democrático, voltado para o ensino da cidadania e para explicar à sociedade - incluídos meninos e meninas que depois viriam a ser aprovados em concursos para a polícia, o Judiciário e o Ministério Público - como funciona o nosso sistema político, não tenha sido adotado, como aconteceu agora, com a elaboração e implementação da Base Nacional  Comum Curricular do governo Temer - obrigatoriamente sequer nas escolas públicas, a ponto de, pelo contrário, ter se fortalecido, em nosso país, a estapafúrdia tese do Movimento Escola sem Partido.

Esse equívoco, essa omissão, essa burrice - imperdoáveis historicamente do ponto de vista político - associados ao fato dos quartéis nunca terem aberto mão de sua versão particular do golpe de 1964 - ensinando intramuros que a derrubada de Jango se deu para evitar um fantasioso golpe comunista no Brasil -  levaram o país à situação em que se encontra agora.

Em que energúmenos armados de paus, pedras e armas e vestidos das cores nacionais mantêm sob a mira de revolveres, caminhoneiros em cárcere privado.

Altos oficiais das forças armadas - democratas e legalistas - se dizem preocupados com a influência de pseudo “manifestantes” sobre a tropa,

E torturadores e assassinos são festejados em eventos políticos, quando estão, há anos, em outros países,  como a Argentina e o Uruguai, pagando por seus crimes na cadeia.

Boa parte da responsabilidade por esse estado de coisas é da mídia conservadora brasileira, que sempre apoiou decisiva e entusiasticamente o radicalismo de direita, quando ele atende a seus interesses, como ocorreu com o impeachment de Dilma, e que depois, quando eclode o ovo da serpente, como está ocorrendo agora, finge não ter nada com isso, e apela para subterfúgios e eufemismos que impedem que a nação combata e dê nome aos bois do apocalipse.

Além disso, à pusilanimidade também do governo - ilegítimo, confuso, hesitante - soma-se a inapetência, a anomia neurológica e a inação de uma esquerda que, chamada a defender o país e a democracia - da qual depende sua sobrevência até mesmo física, em  um futuro próximo - continua fechada em seus guetos e reminiscências e divagações.

Deixando que os golpistas debatam e comentem livremente, como se apenas eles existissem, a situação do país no espaço de comentários de todos os jornais e portais da internet, sem o menor ataque, intervenção, contestação ou resistência.

Uma coisa é o sujeito alegar que não pode ir a uma manifestação, compreende-se.

Outra é se recusar a entrar no computador todos os dias, para acompanhar o que está ocorrendo e dar combate ao ódio, à canalhice e à mentira.

Hoje, no portal Terra, por exemplo - que sequer exige um cadastro para quem comenta - o  Comandante do Comando Militar Conjunto das Forças Armadas, Almirante Ademir Sobrinho, está sendo violentamente  desancado desde a manhã por pregar a obediência à Constituição, por hitlernautas - em meio a apelos para a distribuição de armas para matar “eleitores da esquerda” - sem que nenhum brasileiro decente apareça para defendê-lo ou apoiá-lo.    

A uma proporção de quinze para um, por baixo, de comentários contra a democracia, as eleições, o Estado de Direito, não estranha que muitos, na opinião pública, e não poucos, nas forças armadas, especialmente entre oficiais e sub-oficiais em início de carreira, para não falar nos conscritos, acreditem que os golpistas são ampla maioria na soiciedade brasileira.   
       
É preciso que quem crê na força da liberdade e da democracia tome - que me perdoem os leitores mas já estamos cansados de repetir esse alerta mais de mil vezes - vergonha na cara e parta imediatamente para o enfrentamento da mentira e da hipocrisia na internet, minuto a minuto, maciçamente, no tempo que nos resta até as eleições, e que se pare de apenas sonhar com Lula como uma Rapunzel presa na torre do castelo, que de lá sairá, miraculosamente, na undécima hora, para nos salvar dos monstros da Floresta.

O PT pode não precisar de um plano B, mas a nação precisa de um plano AB, e de uma aliança para travar o golpismo, urgentemente.

Ou será que em breve não restará outra alternativa que a de se importar armas do Paraguai e treinar em clubes de tiro e até mesmo no mato - como a direita já está fazendo há anos - com excursões desse tipo organizadas até mesmo por filhos de pré-candidatos à Presidência da República, e com a participação de “instrutores” norte-americanos, aqui e nos Estados Unidos, antes que muitos venham a ser caçados e massacrados como cordeiros daqui a um ou dois anos?

Não fiquem pensando que as centenas de sujeitos que defendem a tortura e o assassinato como arma política, todos os dias, na internet, sem por isso serem incomodados pelo MP ou pela Justiça,   estão falando da boca para fora ou que hesitariam nem por um instante se pudessem cometer seus crimes.

A diferença entre o canalha covarde que preliba este tipo de infâmia atrás do anonimato de seu computador e aquele que irá desatar todo o seu ódio e perversidade quando tiver a primeira oportunidade, é apenas um porrete na mão e um outro ser humano - desde que esteja desarmado, inerme e indefeso - na sua frente.         

A vanguarda das SA e das SS nazistas era composta de professores, advogados, farmacêuticos, comerciantes, agentes de segurança, que sem seus uniformes pardos e negros, posavam de "gente de bem", com um aspecto absolutamente normal de babacas inofensivos.

E não me venham dizer que estou defendendo ou pregando uma guerra civil.

Nesse aspecto e neste momento, estou sendo apenas mais um armamentista, dos muitos que proliferam por aí, e da linha norte-americana.

País que tem uma constituição que afirma que todo cidadão tem o direito de se armar para defender a liberdade e a democracia, principalmente contra a ameaça de formação de um governo tirânuico e ilegítimo.

Além de sua propriedade - como aqui defende a direita - todo brasileiro tem que gozar da prerrogativa de preservar os seus direitos e a sua vida, começando pelo de pensamento e opinião e o de ir e vir, como qualquer um pode perguntar aos caminhoneiros sequestrados nestes dias.

Que, se estivessem armados, poderiam ter tentado preservar a sua dignidade, dispersando em muito pontos de bloqueio a turba antidemocrática e ensandecida, que, irônica e hipocritamente, quase sempre aparece nessas ocasiões, pedindo intervenção militar, enrolada nas cores nacionais.

É um absurdo que a mídia continue a tratar genericamente como “infiltrados” - por quem, com que intenção, principalmente política? - uma malta de criminosos que agrediram caminhoneiros e destruíram os seus veículos e provocaram dezenas de bilhões de reais em prejuízo para empresários que, esperemos, aprendam com essa lição memorável, que vai lhes doer no bolso, com que tipo de capirotos enlouquecidos estão tratando, achando que é possível mantê-los sob controle, presos em uma garrafa, e onde estão amarrando a sua égua quando flertam, em concorridos regabofes, com a violência e o autoritarismo.

No mais, a população brasileira - quem está se arriscando a morrer porque não pode fazer hemodiálise, ou ficou com o filho doente e sem atendimento porque não havia funcionários nos postos de saúde - tem o direito de saber com quem está lidando.

Vamos lá, dona mídia.

Coragem para dizer a verdade.

Vamos dar nome aos bois.

Infiltrados é eufemismo.

O nome desse bicho é FASCISMO.

sexta-feira, 25 de maio de 2018

GOLPISTAS APROVEITAM GREVE PARA PEDIR INTERVENÇÃO 'CONSTITUCIONAL".








(Do blog com equipe) - Sempre no cio, como lembrava Brecht, as cadelas do fascismo - e do golpismo - querem aproveitar a greve dos caminhoneiros para colocar faixas nas rodovias pedindo a eterna intervenção militar.


Quem sabe com saudade dos locautes golpistas chilenos, embora não dê para saber se o vídeo é de agora, já tem também pelo menos um sujeito vestido de sargento do exército pedindo que quem quiser ajudar os caminhoneiros coloque faixas nesse sentido nos pontos de concentração dos grevistas e sugerindo que o apelo seja espalhado pelo whatsapp.

Duas coisas a lembrar:

1 - O governo vai usar justamente o exército para forçar a passagem de caminhões de combustível pelas estradas para assegurar atividade essenciais.



2 - A intervenção “militar” no Rio de Janeiro, mostrou que as forças armadas, mesmo quando apenas cumprindo ordens, são tão sujeitas a problemas e limitações quanto qualquer outra instituição nacional.

Se essa força não consegue segurar a onda em favelas no Rio de Janeiro, cidade em que a violência aumentou no lugar de diminuir depois da chegada das tropas federais, vai conseguir fazer isso na quinta maior extensão territorial do mundo, pegando o verdadeiro rabo de foguete em que o golpe contra Dilma transformou o Brasil depois de 2016?

Só malucos vestidos de camisetas com fotos de torturadores, em festa de apoio à pré-candidatura de certo aspirante à presidência, colocariam suas fichas numa roubada dessa, principalmente porque o Brasil - ao contrário do que ocorria em 1964 - tem centenas de quilômetros de fronteira seca com países onde é mole comprar rifles e submetralhadoras, como o Paraguai e a Venezuela, onde está sendo instalada a segunda maior fábrica de rifles Kalashnikov do mundo, depois da própria Rússia, por exemplo.

Pior que um golpe - que como mostra o de 2016, todo mundo vê como começa, mas ninguém sabe como vai acabar - só um segundo golpe dentro dele.

Já pensou no "pega pra capar"?

A DESASTROSA GESTÃO DA PETROBRAS E A PARALISAÇÃO DO BRASIL.






(Do blog com equipe) - Nada de novo na forma como o Brasil atual está tratando e vendo a greve convocada pelos caminhoneiros em protesto contra os sucessivos e absurdos aumentos dos combustíveis, que passam de 50% em alguns meses.  

O senso comum imposto ininterruptamente a marretadas por uma mídia irresponsável e ideologicamente comprometida e o discurso oficial, mentiroso, hipócrita e mendaz, continuam se apoiando na tese, ou melhor, no conto do vigário, de que os caminhoneiros estão exagerando e que a culpa é do PT, que teria “quebrado” a Petrobras devido à política de preços adotada nos governos Lula e Dilma.

Quando, na verdade, o vaivém dos preços foi, pelo contrário, usado inteligentemente nos últimos anos, para impedir fortes  aumentos, com a empresa guardando dinheiro quando a cotação do dólar e dos combustíveis lhe eram favoráveis, para subsidiar a compra de diesel e gasolina quando os preços estavam mais altos lá fora, evitando sacudir o mercado e o bolso dos consumidores com o desce e sobe (mais sobe do que desce) idiota e terrorista dos dias de hoje, em que um sujeito não pode sequer programar uma viagem de dois dias sem saber quanto vai gastar de combustível.

Uma doutrina - baseada no “laissez” faire” e na flutuação dos preços no “mercado”,  essa entidade-anjo, uma verdadeira filial do céu onde vive Nosso Senhor Jesus Cristo -  que só facilita a vida dos especuladores e dos donos de postos de gasolina, que também deveriam ter sido chamados para se sentar à mesa de negociação com o governo.

Afinal, caminhoneiros e cidadãos comuns estão fartos de saber que, depois que sobem, em uma espécie de “lei de antigravidade” que é extremamente grave e prejudicial para o país, os combustíveis, principalmente o diesel e a gasolina - que não dão safras sazonais como o álcool - jamais voltam a cair de preço no bico dos revólveres das bombas dos postos, a não ser na ordem ridícula dos centavos, em uma espécie de cruel gozação com a cara do consumidor brasileiro.

Em janeiro de 2016, o jornal ligado a uma importante rede de televisão publicou uma matéria tentando explicar, geopoliticamente, a razão para a queda de 60% da cotação do petróleo em menos de dois anos.

O texto citava, entre outras motivações:  o aumento da produção de óleo de xisto nos Estados Unidos para 9 milhões de barris por dia; a decisão da Arábia Saudita de tentar atrapalhar a indústria de exploração desse recurso nos EUA, aumentando a oferta e vendendo o petróleo da OPEP a 25 dólares o barril; e a volta de outros grandes fornecedores de petróleo ao mercado, como o Irã, após o fim de sanções impostas àquele país pela ONU.

Essas notícias não foram publicadas há 14 anos. Elas saíram, inacreditavelmente, e com grande destaque, há menos de 15 meses. O que é fantástico é que, na cobertura da greve dos caminhoneiros, com a grave crise internacional dos preços do petróleo, que ainda continua, ninguém tenha tocado no assunto e elas tenham sido escandalosamente apagadas, como os desafetos de Stalin e os acusados do macartismo, da história “oficial” vigente.

Deliberadamente omitidas pelo Ministério da Verdade, o MINIVER do livro 1984, de George Orwell, em que se transformou a grande mídia neoliberal, que adotou a tática de chamar dezenas de  “analistas”, a todo momento, alguns deles figuras carimbadas do desgoverno do Sr. Fernando Henrique Cardoso, para repisar a mentira deslavada de que a suposta crise que “obriga” a  Petrobras a aumentar o preço dos combustíveis a cada vez que o Atchim da estória da Branca de Neve espirra é culpa da política de estabilização de preços internos criteriosamente adotada durante anos pelos governos anteriores.

Como se o preço internacional do petróleo bruto não tivesse caído de 115 dólares em agosto de 2013, para 111 dólares em junho de 2014, 50 dólares em março de 2015,  e 30 dólares em janeiro de 2016.

E como se isso não tivesse afetado em nada as contas da Petrobras, que produz quase três milhões de barris de petróleo por dia.

Mesmo assim, como mostram exaustivamente dados divulgados pela AEPET, a Associação dos Engenheiros da Petrobras, a Petrobras perto de estar quebrada.

Ela teve, apesar da política de estabilização dos preços internos de combustíveis e gás de cozinha adotada pelos governos do PT, uma geração operacional de caixa de 33 bilhões de dólares em 2011, de 27 bilhões de dólares em 2012, de 26 bilhões de dólares em 2013, de 26 bilhões de dólares em 2014, de 25 bilhões de dólares em 2015, e de 26 bilhões de dólares em 2016, ano do golpe midiático-parlamentar que derrubou Dilma Roussef e desestabilizou o país levando-o à lastimável situação jurídica, econômica e política em que se encontra agora.

Na qual se prefere insistir em apresentar à opinião pública a tese calhorda, apoiada pela mesma velha plêiade de “analistas” e “especialistas” de um lado só, de que a culpa do que está acontecendo é do  Partido dos Trabalhadores.

Que, tendo economizado 380 bilhões de dólares apenas em reservas internacionais e deixado mais 800 bilhões (260 bilhões de reais em dinheiro) em ativos no BNDES, fora  o pagamento da dívida de 40 bilhões de dólares com o FMI, teria sido responsável por jogar a empresa no buraco e por “quebrar” o Brasil, deixando-o na terrível condição em que ainda se encontra  de quarto maior credor individual externo dos EUA.

Sem aumentar a divida pública, que em 2002 ainda era maior do que é agora.

A importância atribuída pelo terrorismo midiático à queda no valor das ações da Petrobras também é ridícula.

As ações de qualquer empresa do mundo flutuam e as da Petrobras se mantêm estáveis no médio prazo.

Elas estavam em vinte reais em maio de 2013, caíram para 5 reais no início de 2016 - quando foram usadas pelos especuladores para fazer rios de dinheiro e ajudar a derrubar Dilma - e estão em 25 reais agora, como sei na condição de  modestíssimo acionista da Petróleo Brasileiro Sociedade Anônima.

Os idiotas que, para baixar ainda mais a cotação, venderam a cinco reais, às vésperas do impeachment, movidos pelo ódio contra o governo e o desprezo pela maior empresa brasileira se deixaram influenciar pelo preconceito ideológico e as emanações da mídia.

Com isso, quem ganhou gigantescas fortunas foram os gringos que apostaram dezenas de bilhões de dólares na empresa, como fez George Soros na época do impeachment,  comprando suas ações a preço de jiló murcho, porque sabiam e continuam sabendo que a Petrobras vai continuar sendo um dos maiores negócios do mundo, e, se não a destruírem totalmente, uma das mais avançadas organizações na geração de tecnologia para o setor petrolífero,  como  mostra o fato de ser a mais premiada companhia na OTC, a Offshore Technology Conference,  o “oscar” global da exploração de petróleo em águas profundas. 

O resto é especulação de curto prazo, em que “notícias” e boatos ajudam a fazer fortunas, literalmente da noite para o dia, como mostra a variação de mais de 10% nas ações da Petrobras nas últimas 48 horas.

O que não pode variar, como as ações, ao sabor do preconceito e da ideologia viralatista, pseudo-privatista e entreguista, é a indiscutível importância estratégica da maior empresa brasileira (condição que não se mede pelo seu valor em  bolsa).

O que a greve dos caminhoneiros - com suas filas de caminhões nas estradas e ameaça de suspensão de viagens aéreas e de desabastecimento de gêneros essenciais, principalmente alimentícios, está mostrando ao país, clara e didaticamente, é que uma Petrobras mal administrada, como está ocorrendo agora, pode fazer muito mais mal ao Brasil do que ao bolso de seus acionistas. 

Ela pode paralisar o país, e, por isso, tem que ser vista - ao contrário do que afirmou o Sr. Pedro Parente ontem - não como uma empresa privada com objetivo de gerar mais lucro para seus acionistas, mas como uma decisiva conquista - desde a campanha do petróleo é nosso da qual temos orgulho de ter participado - de todos os brasileiros.

Como um fator de fundamental importância do ponto de vista estratégico - como mostra a existência de empresas semelhantes, da Arábia Saudita à Noruega, na maior parte do mundo - para o funcionamento da nação e o desenvolvimento econômico e social do país.

Da Petrobras o povo brasileiro espera poucas coisas, neste particular momento da vida nacional.

Que não se entreguem as riquezas que ela descobriu sozinha, depois do fundo do mar, com tecnologia própria, a preço de banana, aos gringos, é uma delas.

Principalmente quando se considera que o rasteiro discurso privatista vigente está apenas despindo o estado brasileiro para beneficiar governos estrangeiros, abrindo o pré-sal para estatais norueguesas e chinesas, ou grupos em que o governo é o principal acionista, como a Total francesa.

A outra é que o preço dos combustíveis não mude, principalmente para cima, a cada vez que o Sr. Pedro Parente troca de camisa.

Também seria razoável que não se mentisse sobre a situação real da empresa, agora e no passado e se provasse a afirmação de que a Petrobras sofreu - sem que sequer um membro de comissão de licitação fosse investigado - um assalto de 6 bilhões de reais, nunca inequivocamente comprovado, mito estabelecido com a cumplicidade de uma empresa norte-americana  cuja história está eivada de escândalos e de “barrigadas”, lamentavelmente chamada a fazer uma “auditoria” na empresa, por um governo teoricamente nacionalista, à época, levado a fazer isso pela ininterrupta pressão fascista desfechada a partir de 2006.

Mas isso já seria demais quando vivemos em um país em que reina a jurisprudência da delação e do punitivísmo mais reles e implacável.

No qual se extraem as narrativas mais estapafúrdias de empresários constantemente ameaçados, se não se submeterem a isso, de prisão e de definitivo fechamento de suas empresas.

Em que a condução irresponsável de uma guerra jurídica baseada na denúncia e na descarada criminalização da atividade política, da democracia e do presidencialismo de coalizão, levou ao sucateamento de centenas de bilhões de reais em obras e projetos judicialmente interrompidos, a centenas de milhares de demissões e à quebra de um igual número de acionistas, investidores e fornecedores.

Quanto à “negociação” do governo com os caminhoneiros - muitos dos quais devem estar arrependidos de ter bloqueado estradas contra Dilma - a suspensão da cobrança de pedágio a veículos que estejam circulando vazios, com o terceiro  eixo levantado, pode ser muito mais  efetiva do que a pretendida queda ou suspensão de impostos dos combustíveis oferecida pelo governo aos transportadores e caminhoneiros autônomos, recursos que vão acabar, com quase absoluta certeza, no bolso dos donos dos postos de gasolina, que, se não houver controle de preços, dificilmente repassarão  essa queda para os consumidores.

Só há duas maneiras de resolver a questão a curto prazo.

Ou tabelar os preços, ou liberar as associações, organizações ou futuras cooperativas de caminhoneiros para comprar o diesel direto das distribuidoras, ao preço em que ele é vendido pela Petrobras, estabelecendo um prazo para que haja alterações de preço (uma vez por ano é razoável) voltando a dar oportunidade aos caminhoneiros de planejar suas atividades e à empresa de manter o preço mesmo quando houver queda no mercado internacional, para fazer caixa e comprar quando os preços subirem de novo.     

Finalmente, a reoneração da folha de pagamento de mais de 20 setores da economia atinge o país em uma região do fígado que é a mais sensível para os mais pobres, depois do deletério efeito sobre o emprego do punitivismo anti-empresarial da Operação Lava-Jato e a irresponsável e inócua - em termos fiscais -  esterilização, pelo governo, com sua devolução antecipada e desnecessária ao tesouro nacional, de 260 bilhões de reais que se encontravam nos cofres do BNDES quando Temer assumiu, que poderiam ter sido investidos em novos projetos e na retomada de obras de infraestrutura com a geração de milhares de postos de trabalho.

Como já lembramos aqui, o Sr. Pedro Parente foi claro ontem na televisão.

O primeiro compromisso do atual governo com relação à Petrobras é tentar- o que não está conseguindo - agregar valor para os seus acionistas.

É aí que está - lembram-se quando tentaram trocar o nome da Petrobras para Petrobrax? - o X da questão.

A missão dos governos anteriores era usar a empresa para evitar que a inflação disparasse e permitir o abastecimento de combustíveis e a livre circulação de mercadorias, para cumprir o seu papel de garantir condições razoáveis de vida para a população e o funcionamento “normal” da nação.

Além de assegurar, a preços razoáveis, gás de cozinha para milhões de brasileiros - segundo o IBGE já são 1.2 milhões de famílias - que, hoje, em mais uma conquista neoliberal inesquecível, reviram caçambas em todo o país catando lenha para preparar a sua boia de cada dia.  

Quanto aos membros da classe média conservadora e manipulada que ajudaram a derrubar Dilma, aguentaram mais de 200 aumentos da gasolina sem chiar desde 2016 e agora se encontram bloqueados nos aeroportos tentando seguir viagem, cabe perguntar, respeitosa e carinhosamente: onde estão as panelinhas?