terça-feira, 10 de abril de 2012

CONVERSAÇÕES NA CASA BRANCA

A primeira referência séria de um líder norte-americano sobre o Brasil foi de Thomas Jefferson. Em maio de 1787 – quando era embaixador em Paris, dois anos antes da reunião dos Estados Gerais e da descoberta da conspiração de Vila Rica – Jefferson se encontrou, em Nimes, no sul da França, com José Joaquim da Maia, que lhe falou sobre a possível independência do Brasil e das relações que poderiam estabelecer-se entre as duas nações, que ocupavam posição predominante no sul e no norte do hemisfério ocidental.

Jefferson enviou seu relatório, bem divulgado pelos historiadores brasileiros, ao futuro Secretário de Estado, John Jay. O documento não tratava somente do Brasil, mas, também, do México e do Peru. No caso brasileiro, além de relatar o que lhe dissera José Joaquim da Maia sobre as riquezas brasileiras, a situação estratégica do Brasil e a possibilidade de uma insurreição vitoriosa - se os brasileiros tivessem armas e alguma assistência militar que estavam dispostos a pagar, conforme seu interlocutor - Jefferson prevê vantagens comerciais para o seu país.

A personalidade de Joaquim José da Maia não é muito conhecida. Não se tem notícia de outra presença sua na História, além do encontro com Jefferson. No ano seguinte, ainda muito jovem, ele morreria. Mas o fato levanta a hipótese de que a conjuração mineira já se encontrava em andamento, e tinha presença entre os estudantes brasileiros de Montpellier – a maioria deles das Minas. Coube a Domingos Vidal Barbosa, como registram os Autos da Devassa da Inconfidência, levar a informação da posição de Jefferson aos inconfidentes.

O mesmo Jefferson voltará a referir-se ao Brasil, 30 anos depois, em carta a La Fayette, seu amigo e um dos combatentes na Guerra da Independência dos Estados Unidos. Retirado em Monticello, o grande homem de Estado comenta os assuntos do mundo e de seu país. Ao discutir os problemas continentais, refere-se ao Brasil – a correspondência é de 14 de maio de 1817, quando a Revolução Pernambucana, iniciada em 6 de março, lhe parecia vitoriosa, embora naquela mesma semana as tropas legalistas tivessem sitiado o movimento, que seria logo debelado. Diz então Jefferson a Lafayette (Jefferson, Writings, The Library of America, 1984, pag. 1409) que Portugal, ávido em manter suas extensões no sul, acabara de perder a rica província de Pernambuco, e que ele não se espantaria se os brasileiros mandassem logo de volta a Portugal sua família real. E se referia ao Brasil como mais populoso, muitíssimo mais extenso, mais rico e mais sábio do que a metrópole.

Ao longo destes dois séculos e algumas décadas de vida das duas nações, poderíamos ter encontrado convivência melhor, mas os norte-americanos – talvez com exceção de Jefferson e alguns poucos mais – sempre nos viram como inferiores e sujeitos à sua vontade. Faltou-nos falar-lhes sem arrogância, mas com firmeza. É constrangedor anotar que, salvo em alguns momentos, como os de Getúlio, no Brasil, e Franklin Roosevelt (não Ted) nos Estados Unidos, os gestos de subserviência partiram das próprias elites brasileiras.

A visita da presidente Dilma Roussef a Washington está sendo vista, por certos observadores, como de poucos resultados. Entre outros fatos, apontam que não lhe foi oferecido um jantar de gala, mas simples almoço de trabalho. Trata-se de bom sinal: a austeridade do encontro demonstra que, nas conversações preliminares, os diplomatas norte-americanos perceberam que a chefe de Estado não chegava aos Estados Unidos para o ritual de vassalagem - conforme ocorria em certo período de nosso passado quase recente - mas como representante de uma nação soberana, disposta a discutir assuntos de interesse recíproco, de forma séria e honrada.

Ao não transformar uma conversa de trabalho em jantar de gala, Obama tratou o Brasil como o Brasil quer ser tratado: um país que não se deixa engambelar por homenagens dessa natureza. Não somos mais dirigidos por personalidades deslumbradas, que se sentem engrandecidas quando são conduzidas ao Palácio de Buckingham em carruagens puxadas a cavalos brancos e de arneses prateados, a fim de serem recebidos por uma rainha astuta.

As relações entre os dois países podem, e devem, ser melhores do que nunca foram – desde que os norte-americanos nos vejam em nossa devida dimensão. O Brasil, ao contrário de certos desavisados, não tem a pretensão de liderar os paises sulamericanos, mas sente o dever de defender a autodeterminação de seus vizinhos, como defende a própria. Não queremos que nos estendam o tapete vermelho, mas que nos recebam com o respeito que os amigos se merecem. Pelo menos, este é o sentimento do povo brasileiro, ainda que não seja o de todos os seus diplomatas e homens públicos.

A viagem de Dilma Roussef deve ser entendida como um êxito. Tratou-se de uma conversa franca, e não de troca de amabilidades chochas, ditadas pelas conveniências da diplomacia. O confronto de interesses entre os dois grandes países é normal. Anormal seria a subordinação dos interesses de um aos interesses do outro. As discórdias se resolvem nos acordos e tratados, sempre que em benefício comum.

Este texto foi publicado também nos seguintes sites:

http://www.maravilhanoticias.gloog.com.br/news/pt_br/redirect_8131407.html

http://planetabarueri.com.br/barueri/index.php?/blogs/dilma-e-as-conversacoes-na-casa-branca.html

http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2012/04/10/conversacoes-na-casa-branca/

http://contextolivre.blogspot.com.br/2012/04/conversacoes-na-casa-branca.html

http://www.opensanti.com/2012/04/santayana-e-os-eua-acabou-vassalagem.html

http://www.jornalvanguarda.com.br/v2/?pagina=noticias&id=10604

http://www.grupo30.org/

http://easonfn.wordpress.com/?s=santayana

http://politica.centralblogs.com.br/post.php?href=conversacoes+na+casa+branca&KEYWORD=3101&POST=3929218

http://valdecybeserra.blogspot.com.br/2012/04/santayana-e-os-eua-acabou-vassalagem.html

http://vitalvereador.wordpress.com/2012/04/13/conversacoes-na-casa-branca/

http://www.bodocongo.com/2012_04_10_archive.html

http://www.dignow.org/post/santayana-e-os-eua-acabou-a-vassalagem-3982823-83182.html

domingo, 8 de abril de 2012

DEMÓSTENES E A PRIVATIZAÇÃO DO JOGO


Há males que vêm para bem. A situação do Senador Demóstenes Torres, devido às suas ligações com o contraventor Carlinhos Cachoeira e a divulgação de conversas gravadas - segundo as quais o parlamentar do DEM teria promovido reuniões da cúpula da máfia dos caça-níqueis em seu próprio apartamento funcional, com o objetivo de discutir estratégias visando à legalização do jogo - nos oferecem a oportunidade de discutir o futuro dessa atividade no Brasil.

Der vez em quando, ouvem-se pronunciamentos, no Congresso Nacional, articulados ou não, em defesa da legalização dos bingos ou dos cassinos e caça-níqueis. Alegam que a alteração constitucional poderia dinamizar a indústria do turismo e aumentar a distribuição de renda, gerando milhares de empregos.

Ora, se o jogo, nas mãos do Estado, vai tão bem – ninguém discute o resultado da Loteria Federal, da Quina ou da Mega-Sena, ou suspeita de desvio do dinheiro arrecadado – por que privatizar a atividade?

Em todos os lugares do mundo, sabe-se, sobejamente, que a jogatina, quando entregue à iniciativa privada, não se resume a tomar dinheiro, principalmente de velhinhas e aposentados. Os cassinos e os bingos, assim como as máquinas de pescar moedas, quando não estão sob o controle do Estado, sempre acabam sob o controle de grupos mafiosos. O jogo em mãos mafiosas favorece outras atividades criminosas, como a lavagem de dinheiro, a corrupção da polícia, a prostituição e o tráfico de drogas.

Ninguém precisa ver um filme americano ou visitar Las Vegas para saber como isso é verdade. Há alguns anos, eu estava hospedado em um flat próximo aos Jardins, em São Paulo, cujo nome poderia citar aqui, se quisesse, quando reparei que, todos os dias, às seis, sete da tarde, muitos estrangeiros vestidos esmeradamente de terno, se reuniam no lobby e depois, partiam, um a um ou de dois em dois, em diferentes carros, tomando variadas direções, na noite de São Paulo.

Curioso, me aproximei deles e reparei, pelo sotaque, que eram corsos. E não corsos comuns. Tratava-se de compatriotas de Napoleão que, apesar dos ternos caros, tinham caras de poucos amigos.

Quando saíram, me aproximei do porteiro e perguntei quem eram. - é o pessoal do bingo – respondeu, entre reverente e tímido – cada um toma conta de uma casa. E são mais de vinte...

Vendo a reação daquele porteiro, imaginei aquele bando de corsos que, na minha época, teriam a cara cortada a navalha pela malandragem que conheci nos meus tempos de repórter de editoria de polícia - exercendo a sua arrogância e prepotência em cima de centenas de garçons, porteiros, motoristas e garçonetes brasileiras. Quando deixei o hotel, levei o fato às autoridades, o que não deu em nada.

Há empresários e nobres deputados e senadores preocupados com os empregos do bingo? Simples. Faça a Caixa Econômica Federal um convênio com o SENAC, treinem-se, capacitem-se, cozinheiros e garçons, manobristas, recepcionistas; instalem-se nas futuras casas de bingo ou cassinos, máquinas como as que existem hoje nas agências lotéricas, para controlar a entrada e a saída de dinheiro; abram concursos para a contratação do pessoal, e mãos à obra.

Os empregos das pessoas de quem houvesse trabalhado nessas casas, quando clandestinas, poderão ser preservados, milhares de outros serão criados e o dinheiro perdido pelos incautos apostadores, e auferido pelo sistema, será revertido, como já ocorre com as loterias, em beneficio de toda a sociedade.

É claro que sempre haverá espertas raposas para dizer que o governo não deve mexer com bingo. Que é um absurdo o governo entrar em uma atividade que, em outros países, é explorada pela iniciativa “privada”; que o papel do governo é cuidar, e que está cuidando mal, da saúde e da educação; que a questão do jogo no Brasil – como é o caso do “bicho”, por exemplo – está uma bagunça, que é preciso determinar como irão funcionar as coisas, como será calculado o ganho dos apostadores, qual será a “parcela” da União, Estados, Municípios na féria. Que não sendo o jogo coisa de governo, que o poder público deveria “terceirizar” essa atividade, entregando a sua exploração a “empresários” de “fora”, que tenham experiência, associados a brasileiros.

O caso do Senador Demóstenes Torres, apanhado em ligações perigosas, permitiu que, ao menos por enquanto, as uvas cobiçadas pela raposa – a privatização do jogo no Brasil - ficassem, repentinamente, verdes. Quando essa discussão amadurecer de novo, esperemos que ela seja conduzida levando-se em consideração não os interesses de meia dúzia de malandros, mas, sim, os de todo o povo brasileiro.


Este texto foi publicado também nos seguintes sites:


http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_secao=1&id_noticia=180246

http://correiodobrasil.com.br/mauro-santayana-demostenes-e-a-privatizacao-do-jogo/427348/

http://crabastos.blogspot.com.br/2012/04/destaques-da-edicao-do-portal-vermelho.html

http://gilsonsampaio.blogspot.com.br/2012/04/demostenes-e-privatizacao-do-jogo.html

http://contextolivre.blogspot.com.br/2012/04/demostenes-e-privatizacao-do-jogo.html

http://minutonoticias.com.br/mauro-santayana-demostenes-e-a-privatizacao-do-jogo

http://rodolfovasconcellos.blogspot.com.br/2012/04/blog-post_10.html

http://gilsonsampaio.blogspot.com.br/2012/04/demostenes-e-privatizacao-do-jogo.html

http://leopoldotristao.blogspot.com.br/2012/04/demostenes-e-privatizacao-do-jogo.html

http://ericksilveira.blogspot.com.br/2012/04/demostenes-e-privatizacao-do-jogo.html

http://boilerdo.blogspot.com.br/2012/04/demostenes-e-jogatina.html

sexta-feira, 6 de abril de 2012

A CRUCIFICAÇÃO DE CRISTO E O SUICÍDIO EM ATENAS


(JB) - O homem que prenderam, interrogaram, torturaram, humilharam, escarneceram e crucificaram, na Palestina de há quase dois mil anos, foi, conforme os Evangelhos, um ativista revolucionário. Ele contestava a ordem dominante, ao anunciar a sua substituição pelo reino de Deus. O reino de Deus, em sua pregação, era o reino do amor, da solidariedade, da igualdade. Mas não hesitou em chicotear os mercadores do templo, que antecipavam, com seus lucros à sombra de Deus, o que iriam fazer, bem mais tarde, papas como Rodrigo Bórgia, Giullio della Rovere, Giovanni Médici, e cardeais como os dirigentes do Banco Ambrosiano, em tempos bem recentes. O papa reinante hoje, tão indulgente com os gravíssimos pecados de muitos de sua grei, decidiu, ex-catedra, que as mulheres não podem exercer o sacerdócio.

Ao longo da História, duas têm sido as imagens daquele rapaz de Nazaré. Uma é a do filho único de Deus, havido na concepção de uma jovem virgem, escolhida pelo Criador. Outra, a do homem comum, nascido como todos os outros seres humanos, em circunstâncias de tempo e lugar que o fizeram um pregador, continuador da missão de seu primo, João Batista, decapitado porque ameaçava o poder de Herodes Antipas. Tanto João, quanto Jesus, foram, como seriam, em qualquer tempo e lugar, inimigos da ordem que privilegiava os poderosos. Por isso – e não por outra razão – foram assassinados, decapitado um, crucificado o outro.

Um e outro tiveram dúvidas, segundo os evangelistas. João Batista enviou emissário a Jesus, perguntando-lhe se era mesmo o messias que esperava, e Cristo, na agonia, indagou a Deus por que o abandonava. Os dois momentos revelam a fragilidade dos homens que foram, e é exatamente nessa debilidade que encontramos a presença de Deus: os homens sentem a presença do Absoluto quando as circunstâncias o negam. João Batista sentia-se movido pela fé, ao anunciar a vinda do Salvador.

Era um ativista, pregando a revolução que viria, chefiada por outro, pelo novo e mais poderoso dos profetas. Ao saber que Cristo pregava e realizava milagres, supôs que ele poderia ser aquele que esperava, mas duvidou. Nesse momento, moveu-se pela esperança de que o jovem nazareno fosse o Enviado – o que confirmaria a sua fé. Cristo, na hora da morte, talvez levasse a sua dúvida mais adiante, e se perguntasse se a sua morte, que previra e esperara, serviria realmente à libertação dos homens – desde que salvar é libertar. O Reino de Deus, sendo o reino da justiça, é a libertação. Daí a associação entre essa felicidade e a vida eterna, presente em quase todas as religiões. Na pregação de Cristo, a libertação começa na Terra, na confraternização entre todos os homens. Daí o conselho aos que o quisessem seguir, e ainda válido - repartissem com os pobres os seus bens, como fizeram, em seguida, os seus apóstolos, ao criar a Igreja do Caminho. Se acreditamos na vida eterna, temos que admitir que a vida na Terra é uma parcela da Eternidade, que deve ser habitada com a consciência do Todo. Assim, a vida eterna começa na precariedade da carne.

Quarta-feira passada - quando em São João del Rei, em Minas, a Igreja celebrou o Ofício das Trevas no rito antigo - um grego, Dimitris Christoulas, chegou pela manhã à Praça Syntagma, diante do Parlamento Grego, buscou a sombra de um cipreste secular, levou o revólver à têmpora, e disparou. Em seu bilhete de suicida estava a razão: aos 77 anos, farmacêutico aposentado, teve a sua pensão reduzida em mais de 30%, ao mesmo tempo em que se elevou brutalmente o custo de vida. As medidas econômicas, ditadas pelo empregado do Goldman Sachs e servidor do Banco Central Europeu, nomeado pelos banqueiros primeiro ministro da Grécia, Lucas Papademos, não só reduziram o seu cheque de aposentado, como o privaram dos subsídios aos medicamentos. “ Quero morrer mantendo a minha dignidade, antes que me veja obrigado a buscar comida nos restos das latas de lixo” – escreveu em seu bilhete de despedida, lido e relido pelos que tentaram socorrê-lo, e que se reuniam na praça.

“ Tenho já uma idade que não me permite recorrer à força – mas se um jovem agora empunhasse um kalashinov, eu seria o segundo a fazê-lo e o seguiria”.

No mesmo texto, Christoulas incita claramente os jovens gregos sem futuro à luta armada, a pendurar os traidores, na mesma praça Syntagma, “como os italianos fizeram com Mussolini em Milão, em 1945”. O tronco do cipreste se tornou painel dos protestos escritos. Em um deles, o suicídio de Christoulas é definido como um “crime financeiro”.

A morte de Christoulas, em nome da justiça, pode trazer nova esperança ao mundo, como a de Cristo trouxe. Não importa muito se ainda não foi possível construir o reino de Deus na Terra, e tampouco importa que o nome de Cristo tenha sido invocado para justificar tantos e tão repugnantes crimes. No coração dos homens de boa vontade, qualquer que seja o seu calvário – porque todos os homens justos o escalam, onde quer que nasçam e morram – a felicidade os visita quando comungam do sentimento de amor de Cristo pela Humanidade. Nesses momentos, ainda que sejam apenas segundos fugazes, habitamos o Reino de Deus.

Nunca, em toda a História, tivemos tanto desdém pela vida dos homens, como nestes tempos de ditadura financeira universal. Estamos vivendo vésperas densas de medo, mas dentro do medo, há centelhas de esperança. A morte do aposentado, quarta-feira de trevas, em Atenas, é, com toda a carga trágica de seu gesto, partícula de uma dessas centelhas.

Estamos cansados de sangue, mas o que está ocorrendo hoje – teorizem como quiserem economistas e sociólogos – é a etapa seguinte do grande projeto dos neoliberais, que vem sendo executado sistematicamente pelos que realmente mandam no mundo e que assumiram sua governança (para usar o termo de seu agrado), mediante a Trilateral e o Clube de Bielderberg, controlados, como se sabe, por meia dúzia de poderosas famílias do mundo. Esse projeto é o de dizimar, por todos os meios possíveis, a população, e transformar a Terra no paraíso dos 500.000.000 mais poderosos, ricos e eleitos, em oposição à utopia cristã. Mas é improvável que os pobres, que são a maioria, não identifiquem seu real inimigo, e se sacrifiquem, sem resistência, ao Baal contemporâneo - esse sistema financeiro que acabou com a antiga sacralidade da moeda, ao emitir papéis sem nenhuma relação com os bens reais do mundo, nem com a dignidade do trabalho. A força da mensagem do nazareno deve ser retomada: os oprimidos – negros, brancos, mestiços, muçulmanos, cristãos, budistas e ateus – devem compreender que os habita o homem, e não animais distintos, destinados à violência em proveito dos promotores da barbárie.

Ao expirar, depois de torturado, ultrajado seu corpo, humilhado, escarnecido, Cristo se tornou a maior referência de justiça. Aos 77 anos, o aposentado grego, ao matar-se, transformou-se em bandeira que ameaça iniciar, na Grécia, novo movimento em favor da igualdade – a mesma idéia que levou Péricles a fundar o primeiro estado de bem-estar social, ao reconstruir Atenas, empregar todos os pobres, e dotar os marinheiros do Pireu do pioneiro conjunto de casas populares da História.Vinte séculos podem ter sido apenas rápido intervalo – um pequeno descanso da razão.


Este texto foi publicado também nos seguintes blogs:

http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2012/04/06/a-crucificacao-de-cristo-o-suicidio-e-a-rebeliao-em-atenas/

http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_secao=1&id_noticia=180142

http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2012/04/06/santayana-a-crucificacao-de-cristo-e-o-suicidio-em-atenas/

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-suicidio-de-christoulas-e-a-velha-nova-ordem-mundial#comment-859542

http://correiodobrasil.com.br/mauro-santayana-a-crucificacao-de-cristo-e-o-suicidio-em-atenas%C2%A0/426363/

http://jaderresende.blogspot.com/2012/04/dimitris-christoulas-e-esperanca.html

http://grupobeatrice.blogspot.com.br/2012/04/tenho-ja-uma-idade-idade-que-nao-me.html

http://peroratio.blogspot.com.br/2012/04/2012367-jesus-assassinato-e-christoulas.html

http://mestreaquiles.blogspot.com.br/2012/04/crucificacao-de-cristo-o-suicidio-e.html

http://lucasechimenco.blogspot.com.br/2012/04/crucificacao-de-cristo-o-suicidio-e.html

http://ecoepol.blogspot.com.br/2012/04/santayana-crucificacao-de-cristo-e-o.html

http://companheirojoaocouto.blogspot.com.br/

http://opiniaodivergente.com/?p=669

http://www.blogdopaulonunes.com/v3/2012/04/08/a-crucificacao-de-cristo-o-suicidio-e-a-rebeliao-em-atenas/

http://easonfn.wordpress.com/2012/04/07/a-crucificacao-de-cristo-o-suicidio-e-a-rebeliao-em-atenas/

http://opedeuta.blogspot.com.br/2012/04/santayana-crucificacao-de-cristo-e-o.html#comment-form

http://teacherramossblog.blogspot.com.br/2012/04/santayana-crucificacao-de-cristo-e-o.html

http://maureliomello.blogspot.com.br/2012/04/repartir-esta-e-suplica-da-pascoa-grega.html

http://quarteiraodasaude.blogspot.com.br/2012/04/mauro-santayana-crucificacao-de-cristo.html

http://cmeriopreto.blogspot.com.br/2012/04/crucificacao-de-cristo-o-suicidio-e.html

http://www.dignow.org/post/santayana-a-crucifica%C3%A7%C3%A3o-de-cristo-e-o-suic%C3%ADdio-em-atenas-3972560-3725.html

http://www.fundacaoastrojildo.com.br/index.php/politica-e-cidadania/2195-a-crucificacao-de-cristo-o-suicidio-e-a-rebeliao-em-atenas

http://buracosupernegro.blogspot.com.br/2012/04/santayana-crucificacao-de-cristo-e-o.html

http://www.comentarium.com.br/blog-det.jsp?blogID=102672

http://chebolas.blogspot.com.br/2012/04/cristao-ou-nao-aproveite-o-texto.html

http://margaritasemcensura.com/ideias/crucificacao-de-cristo-suicidio-e-rebeliao-de-atenas

http://umpovoarasca1.blogs.sapo.pt/488068.html

http://asaguirre15sc.wordpress.com/2012/04/06/cristao-ou-nao-aproveite-o-texto-brilhante-do-mestre-santayana-para-refletir/

http://wwwpordentroemrosa.blogspot.com.br/2012/04/crucificacao-de-cristo-e-o-suicidio-em.html

http://www.opensanti.com/2012/04/santayana-crucificacao-de-cristo-e-o.html

http://franklinalves.blogspot.com.br/2012/04/crucificacao-de-cristo-o-suicidio-e.html

http://news-flow.net/?news_from=Brazil&single=228439&psl=0


quinta-feira, 5 de abril de 2012

O NOVO CERCO AO BRASIL

(JB) - Se, amanhã, os terrestres vierem acolonizar Marte, como muitos sonham, o feito será, dentro das circunstâncias dotempo e da ciência, menos surpreendente do que foi o desembarque europeu naAmérica do Sul e a ocupação do espaço ainda desconhecido. Sabemos hoje muitomais do planeta vermelho do que os contemporâneos do Renascimento podiamconhecer da América do Sul. Na realidade, nem mesmo podiam ter certeza de que aquarta parte existisse.
Nãosó a conquista do território continental, mas a construção da consciência depátria - da plena identidade e da soberania de nossos povos - tem sido atopermanente de luta e de resistência, contra a natureza hostil e contra aopressão política.
Só há dois séculos, na esteira daRevolução Francesa, da Guerra de Independência dos Estados Unidos e das guerrasnapoleônicas, admitiram a nossa existência como povo, mas sob arrogante tutelae subordinação aos seus interesses. O pior é que as coisas continuam quase damesma forma. Querem-nos apenas como fornecedores de matérias primas. Ao usar ovocábulo commodities paradesignar nossos produtos primários, osneoliberais brasileiros engambelam-nos com a sonoridade britânica do termo,como antes os colonizadores nos engabelavam com os espelhos e miçangas.Continuamos exportando minérios e comprando máquinas; exportando soja e pagandoroyalties por tecnologia; exportando produtos de nossa singular biodiversidade,e importando medicamentos.
Se houvesse sido possível a exportaçãoda cana em seu estado natural, nãoteríamos construído aqui os primeiros engenhos açucareiros. Só depois daIndependência erigimos forjas para afundição econômica do ferro; até então foices e enxadas vinham da Europa, porvia de Portugal. A independência dos paises latino-americanos foi de interesseda Grã Bretanha, que substituiu Madri e Lisboa. A partir de então, Londres selivrou dos intermediários e passou a disputar, com os Estados Unidos, quecresciam, o nosso mercado, como fornecedor de matérias primas e compradorde produtos manufaturados.
É interessante notar que todas asvezes que as circunstâncias nos ajudavam, o cerco estrangeiro se fechava sobreo Brasil – e sobre os paises do continente. Nosso desenvolvimento industrial noSegundo Reinado - em que houve, para o bem e para o mal, a aliança da Coroa comMauá - foi tolhido pela ação britânica, contra a economia brasileira e com ocerco ao grande empreendedor, cuja presença política no continente incomodava ageopolítica imperialista.
ARepública, não obstante todos os seus avanços, propiciou, pelas dificuldades políticas de sua consolidação, oassédio britânico. As negociações draconianas da nossa dívida com a praça deLondres – o famoso funding loan é oexemplo da arrogância e voracidade dos banqueiros internacionais – favoreceram odesembarque de suas empresas no país, que, logo se associaram àsnorte-americanas.
Em 1922, em uma visão históricaequivocada, os tenentes se levantaramcontra a eleição do mineiro Artur Bernardes, a partir de cartas falsas, a eleatribuídas, e que ofendiam o marechal Hermes da Fonseca. Até hoje não sabemos,exatamente, a quê e a quem serviram os falsários, não obstante as versõesdivulgadas. Era um bom momento para o Brasil, e que se frustrou em parte, namedida em que o presidente teve que defender, a ferro e fogo, o seu mandato –não tendo, em razão disso, conseguido ampliar as medidas nacionalistas adotadascontra os interesses anglo-saxônicos, entre elas as de nosso desenvolvimentosiderúrgico.
Para não lembrar episódios menores nointervalo, o cerco a Getúlio, em seu segundo mandato, é nisso exemplar. Opresidente entendera, desde os anos 30, que não teríamos soberania sem quetivéssemos a energia necessária ao desenvolvimento da economia. Por isso,cuidou da Petrobrás e da Eletrobrás, como bases necessárias à economiaindustrial brasileira.
Os interesses estrangeiros – leia-se,norte-americanos – se mobilizaram, conforme documentos ianques indesmentíveis,com a ajuda dos meios de comunicação brasileiros, e políticos cooptados, a fim de acossar opresidente até a tragédia de 24 de agosto de 1954. Não satisfeitos, desde que otíbio governo de Café Filho não os garantira, tentaram novamente o golpe, em 11de novembro de 1955, mediante os seus cúmplices nacionais. Se impedissem a possede Juscelino, como queriam - e Lacerda vociferava em seus ataques ao mineiro -a primeira medida seria a revogação do monopólio estatal do petróleo.
A reação dos militares nacionalistas,chefiados por Lott, frustrou-lhes os planos, e Juscelino pôde, em seu qüinqüêniopresidir ao extraordinário salto do Brasil rumo ao futuro - enfrentando, aomesmo tempo os interesses estrangeiros e o derrotismo conformista de muitosbrasileiros. A vitória de Jânio e sua renúncia, meses depois, esso de o o da continuaçAD e outrosinstrumentos.gonhada intromissos de comunicaçimeira medida a ser tomada interromperamo processo de consolidação democrática. A facção pró-americana, de civis emilitares, que não queria o desenvolvimento autônomo do país, também açuladapor Lacerda e outros, iniciou o processo golpista, prontamente contido pelareação de Leonel Brizola, então governador do Rio Grande do Sul. Diante daiminência da guerra civil, houve negociações que mudaram o sistema,implantando-se o parlamentarismo. Jango assumiu reduzido em seus poderesconstitucionais, outorgados pelas eleições livres, e era natural que a naçãolutasse para que ele os recuperasse, como os recuperou, com a vitória noreferendo popular.
O novo momento foi, mais uma vez, usado pelosnorte-americanos, com a desavergonhada intromissão em nossos assuntos internos,mediante o IBAD e outros instrumentos. O golpe de 1964 se fez contra o Brasil,e não em defesa da soi-disant democracia hemisférica contra Cuba e a UniãoSoviética. O que eles temiam, e continuam a temer, é a transformação de nossopaís em grande potência econômica, provida de conseqüente força militar, capazde garantir a sua presença política continental e sua soberania no mundo.

Estamos em momento similar, e emplena ascensão. Essa situação auspiciosa, é bom repetir até a exaustão,recomenda a todos os brasileiros, civis e militares, conscientes de seupertencimento à comunidade nacional, o máximo de prudência. É preciso fechar as nossas portas aos estrangeiros, interessados em retirar o seu butim de eventuais conflitos internos, como fazem no Iraque, no Afeganistão, na Líbia - e se preparam para fazer na Síria e no Irã.

Este texto foi publicado também nos seguintes sites:

sexta-feira, 30 de março de 2012

A CÚPULA DOS BRICS E O BOICOTE DA MÍDIA OCIDENTAL .


A cada ano, quando chega a época da Cúpula Presidencial dos BRICS – a quarta edição desse encontro acaba de terminar em Nova Delhi, a capital indiana – torna-se cada vez mais evidente, para o observador atento, o patético esforço da mídia “ocidental” (entre ela boa parte da nossa própria imprensa) de desconstruir a imagem de uma aliança geopólítica que reúne quatro das cinco maiores nações do planeta em território, recursos naturais e população e que está destinada a modificar a o equilíbrio de poder no mundo, no século XXI.

Essa estratégia – com a relativa exceção dos meios especializados em economia - vai de simplesmente ignorar o encontro, à tentativa de diminuir sua importância, ou semear dúvidas sobre a unidade dos principais países emergentes, tentando ressaltar suas diferenças, no lugar do reconhecer o que realmente importa: a política comum dos BRICS de oposição à postura neocolonial de uma Europa e de um EUA cada vez mais instáveis, que se debatem com um franco processo de decadência econômica, diplomática e social.

Para isso, a mídia ocidental – incluindo a “nossa” - ignora os despachos das agências oficiais dos BRICS, principalmente as russas e as chinesas, que ressaltam a importância do Grupo e de suas iniciativas para suas próprias nações – o Brasil inexplicavelmente ainda não possui serviços noticiosos em outros idiomas, coisa que até mesmo Angola utiliza, e muito bem – e se concentra em procurar e entrevistar observadores “ocidentais” ou pró-ocidentais situados em esses países, que se dedicam a repetir a cantilena da “impossibilidade” do estabelecimento de uma aliança geopolítica de fato entre o Brasil, a Rússia, a Índia, a China e a África do Sul, baseados nos seguintes argumentos:

- A “distância” entre o Brasil, a África do Sul, e a Rússia, a índia e a China, como se em um mundo em que a informação é instantânea e um míssil atinge qualquer ponto do globo em menos de quatro horas, isso tivesse a menor importância.

- O fato de a África do Sul, o Brasil e a Índia serem democracias, e a China e a Rússia não serem democracias “plenas ” segundo o elástico conceito ocidental, que não considera a Venezuela uma democracia “plena”, mas o Kuwait ou a Arábia Saudita – autocracias herdadas e governadas pelo direito de sangue - sim.

- A concorrência da Índia, da China e da índia no espaço asiático, como se esses três países não cooperassem, até mesmo no campo militar, e não mantivessem reuniões, há muitos anos, para resolução de problemas eventuais.

- A rotulagem desses países em “exportadores de commodities” como a Rússia e o Brasil, “provedores de serviços”, como a India, e “fábricas do mundo”, como a China, como se essa situação, caso fosse verdadeira, não pudesse ser usada a favor de uma aliança intercomplementar, ou como se Rússia, Brasil e índia também não produzissem manufaturados, e entre eles produtos industriais avançados, como aviões, por exemplo.

É óbvio que uma aliança como os BRICS, que reúne um terço do território mundial, 25% do PIB, e praticamente a metade da população humana não se consolidará, política e militarmente, de uma hora para a outra. Mas também é igualmente claro, que não se trata de um grupo heterogêneo de nações que não tenham nada a ver uma com a outra.

Se assim fosse, o Brasil não estaria fornecendo aviões-radares para a índia, não estaríamos desenvolvendo mísseis ar-ar e terra-ar com a DENEL sul-africana, ou comprando helicópteros russos de combate, ou não teríamos, há anos, um programa de satélites de sensoriamento remoto com a China.

O primeiro traço comum entre os grandes “brics” como a Rússia, a China, a índia e o Brasil, e, em menor grau, a África do Sul, é, como demonstra a sua oposição à política ocidental para com a Libia e a Siria, o respeito ao princípio de não intervenção.

Porque o Brasil, a Rússia, a índia, a China, não aceitam que se intervenha em terceiros países, em função de questões relacionadas aos “direitos humanos”, por exemplo, ou devido à questão nuclear ?

Porque, como são países que prezam a sua soberania, não aceitam que, amanhã, o mesmo “ocidente” que hoje ataca a Libia, a Siria, ou o Irã, venha se unir contra um deles, qualquer deles, por causa de outras questões, como poderia acontecer conosco, eventualmente, no caso dos “ direitos” indígenas, ou da defesa da Amazônia, o “pulmão do mundo”.

Quem tem telhado de vidro não joga pedra nos outros. Que atire a primeira quem nunca pisou na bola. Qual é o país, hoje, que pode acordar pela manhã, olhar-se, enquanto sociedade, no espelho, e dizer que não tem nenhum problema de direitos humanos?

E mais, quem arvorou à Europa e aos norte-americanos a missão de julgar o mundo? Pode um país como os Estados Unidos, que invadiu e destruiu o Iraque, por causa de outro mito intervencionista, o da existência – comprovadamente falsa - de armas de destruição em massa naquele país, falar em direitos humanos ?

Pode uma Nação que inventou e usou, no Vietnam, centenas de toneladas de um veneno químico chamado agente laranja, contaminando para sempre o solo e as águas de milhares de hectares de selva, falar em defesa da natureza e das florestas tropicais?

Ou pode um país que jogou duas bombas atômicas sobre dezenas de milhares de velhos, mulheres e crianças desarmadas, queimando-as até os ossos - quando poderia – se quisesse – tê-las testado sobre soldados do exército ou da marinha japonesa, falar, em sã consciência, de controle de armamento atômico e da não proliferação nuclear?

A realidade por trás do discurso de defesa dos direitos humanos e da natureza é muito mais complexa do que Hollywood mostra às nossas incautas multidões em filmes como Avatar. Por mais que muitos espíritos de "vira-lata" queiram - mesmo dentro do nosso país - que Deus tivesse dado à Europa e aos Estados Unidos o direito de governar o mundo, para defender seu artificial e efêmero “american way of life”, ele não o fez.

Pequenos países, como a Espanha ou a Itália, na ilusão de se sentirem maiores, podem – assim o decidiram suas elites - abdicar de sua soberania política e econômica e bombardear a população civil na Líbia, no Iraque, no Afeganistão, em defesa de uma impossibilidade quimérica como a Europa do euro, e do mandato da “Pax Americana”.

Nações como o Brasil, a Índia, a China e a Rússia, se aferram ao direito à soberania, ao recurso à diplomacia, à primazia da negociação. Não se pode salvar vidas distribuindo armas para um bando descontrolado de açougueiros que espanca e mata prisioneiros indefesos, desarmados e ensanguentados – mesmo que eles se chamem Khadaffi – e obriga jovens muçulmanos a desfilarem em fila, de joelhos, repetidas e infinitas vezes, sob a lente da câmera e a ameaça de armas e chicotes, para mastigar e engolir nacos de cadáveres de cães putrefatos. O futuro da humanidade no século XXI e nos próximos, depende cada vez mais da emergência de um mundo multipolar que se oponha à pretensa hegemonia “ocidental”. E é isso – queiram ou não os jornais e comentaristas europeus e norte-americanos – que está em jogo a cada nova Cúpula dos BRICS, como a de Nova Delhi.


Este texto foi publicado também nos seguintes sites:


http://altamiroborges.blogspot.com.br/2012/04/os-brics-e-o-boicote-da-midia.html

http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=179657&id_secao=9

http://www.planetaosasco.com/oeste/index.php?/2012040433230/Coluna-politica/os-brics-e-o-boicote-da-midia.html

http://contextolivre.blogspot.com.br/2012/03/cupula-dos-brics-e-o-boicote-da-midia.html

http://neccint.wordpress.com/2012/04/04/santayana-os-brics-e-o-boicote-da-midia/

http://mercosulcplp.blogspot.com.br/2012/04/cupula-do-brics-e-o-boicote-da-midia.html

http://grupobeatrice.blogspot.com.br/2012/03/cantilena-da-impossibilidade.html

http://brasileducom.blogspot.com.br/2012/04/cupula-dos-brics-e-o-boicote-da-midia.html

http://outroladodanoticia.com.br/inicial/32783-a-cupula-dos-brics-e-o-boicote-da-midia-ocidental.html

http://cmarinsdasilva.com.br/wp/os-brics-e-o-boicote-da-midia/

http://nogueirajr.blogspot.com.br/2012/03/cupula-dos-brics-e-o-boicote-da-midia.html

http://advivo.com.br/blog/luisnassif/fora-de-pauta-674

http://www.sudoestenarede.com.br/v1/2012/04/01/mauro-santayana-a-cupula-do-brics-e-o-boicote-da-midia-ocidental/

http://ponto.outraspalavras.net/2012/04/04/cupula-dos-brics-boicote-da-midia-ocidental/

http://www.jornaldototonho.com.br/?p=26381

http://chebolas.blogspot.com.br/2012/03/visita-oficial-da-presidenta-dilma.html

http://midiaglobal.org/?tag=encontro

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/clipping-do-dia-582

http://psfranciscoalmeida.blogspot.com.br/2012/04/via-email-brasil-brasil.html

quinta-feira, 29 de março de 2012

DOIS GÊNIOS DA FILOSOFIA POLÍTICA


(JB) - A morte de Millor Fernandes e de Chico Anísio é mais do que a perda de dois grandes humoristas. Chico e Millor, cada um em seu espaço, foram importantes filósofos políticos, distanciados dos grilhões acadêmicos, e argutos observadores da realidade brasileira.

Millor não dispunha dos atributos do ator de Maranguape, capaz de usar duzentas máscaras diferentes, para expor os sentimentos e o ridículo da condição humana. Nele havia a profundidade de reflexão, ancorada em uma erudição tanto mais ampla quanto menos pomposa. Ambos fustigaram a mediocridade e fizeram o povo pensar.

E me permitam defender uma categoria de pessoas a que também pertenço: aquelas que encontraram o seu caminho fora das escolas formais. Millor e Chico foram dispensados da moldagem do ensino tradicional, mas compensaram essa aparente dificuldade na formação dialética – e ética - do trabalho. Millor um pouco antes, no início da adolescência, ao entrar para a equipe de O Cruzeiro, e Chico, poucos anos depois, ao se tornar locutor de uma emissora de rádio.

Sendo um homem do espetáculo, e vivendo tantos e tão diferentes personagens, Chico Anísio teve a vida exposta, como um eterno caçador de experiências amorosas e pai incansável. Uma psicanálise de botequim poderia explicar a sua afetuosidade insaciável, que o fez marido de tantas e tão belas mulheres, como resultado do mundo de ficção em que vivia. Os atores sempre adicionam à alma, ainda que não desejem, parcelas de seus personagens, como transplantes da emoção dos autores. Millor não era ator, mas, sim, um excepcional pensador. Essa foi a essencial diferença entre os dois.

Ambos foram ácidos críticos da sociedade e aplicados defensores da verdadeira razão política. Chico exercia a sua cáustica vigilância no aparente desprezo pelas personalidades públicas. Ninguém soube caricaturar com tanta acuidade o parlamentar corrupto, do que ele, ao encarnar o deputado Justo Veríssimo. Já na fase final do regime militar, os telefonemas de Salomé, de Passo Fundo, ao Presidente João Batista Figueiredo, serviram, ao mesmo tempo, de crítica ao governo e de estímulo ao movimento de redemocratização em marcha. Millor ia muito mais fundo. Sua crítica não se limitava à política em senso estrito, aos governos e às instituições do Estado, mas atingia, em seu âmago, a sociedade contemporânea, com seus desavisos e submissão ao efêmero. Para isso, ele sempre se abasteceu dos clássicos gregos aos autores contemporâneos, passando, naturalmente, por Shakespeare, Goethe, Schiller, Molière, Racine e tantos outros. Ele era capaz de ir adiante das reflexões desses grandes autores, ao trabalhá-las em sua fulgurante inteligência. Ele usava a erudição para resumir a sua visão do mundo em frases curtas, certeiras, surpreendentes, definitivas.

Não conheci pessoalmente Chico Anísio. Meu universo era outro. Não morando no Rio, fui privado de convívio maior com Millor. Fazíamos parte, como tantos outros de nossos contemporâneos, do Círculo de Conceição de Mato Dentro que se reunia eventualmente no apartamento de José Aparecido, em Copacabana. Ambos fomos agraciados com o título de cidadãos de Conceição o que, para os que não conheceram Aparecido, nem a cidade na Serra do Espinhaço, pode não ter qualquer importância. A cidade de Aparecido, tão forte na história e no caráter de Minas, hoje, mais do que a Itabira de Drummond, não passa de uma foto esmaecida: mineradores estrangeiros a conspurcaram, ao dilacerar as serras que a cercam e esvaziar a cidade de sua identidade e de seu caráter ancestral.

Entre as minhas memórias de Millor, há a de um encontro na terra de Aparecido, em que ele, Gerardo de Mello Mourão, Newton Rodrigues e eu mesmo – não me lembro se houve outros colaboradores – redigimos longo poema sobre o aniversário de José, naquele mesmo dia, e que se iniciava com a evocação da morte de Giordano Bruno na fogueira, em 17 de fevereiro de 1600. Os versos de Millor foram os mais fortes, mais limpos e mais significativos, naquele “abc” em louvor do aniversariante.

As sucessivas gerações de homens brilhantes, que atravessaram o século 19 e fizeram a primeira metade do século 20, de Machado e Bilac, de Lima Barreto, de Belmonte e de J. Carlos; de Graciliano, José Lins, de Getúlio Vargas e de tantos homens de gênio foi sucedida por personalidades fortes da segunda metade do século passado, algumas das quais cruzaram o milênio. Chico e Millor, gênios vindos do povo, em sua forma de ver o mundo e nele se integrar, foram figuras emblemáticas dessa geração singular na história do país.

Uma frase de Millor, inscrita na escultura que adorna a porta do apartamento de José Aparecido no Rio, pode resumir a sua atitude diante da vida: Se alguém achar o vento a favor contrário, entra com o que tem.


Este texto foi publicado também nos seguintes sites:

http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2012/03/29/dois-genios-da-filosofia-politica-4/

http://contextolivre.blogspot.com.br/2012/03/dois-genios-da-filosofia-politica.html

http://carcara-ivab.blogspot.com.br/2012/03/dois-genios.html

http://arte.orkfeeds.com/arte/dois-genios-da-filosofia-politica-por-mauro-santayana

http://academiae.wordpress.com/2012/03/30/chico-e-millor-filosofos-politicos/#comments

http://www.jornaldototonho.com.br/?p=26492

quarta-feira, 28 de março de 2012

RACISMO, RELIGIÃO E TANATOS.


(JB) - Podemos talvez encontrar a origem do racismo, a partir do equívoco bíblico, de que Deus fez o homem à sua imagem e semelhança. Levando a idéia ao pé da letra, nasceu a paranóia da intolerância ao outro. A imagem negra de Deus é a de seus deuses africanos, a imagem judaica de Deus é a de um patriarca hebreu, na figura de Jeová. Os muçulmanos não deram face a Alá, nem veneram qualquer imagem de Maomé, mas isso não os fez mais santos. Desde a morte de Maomé, seus descendentes e discípulos se separaram em seitas quase inconciliáveis, que se combatem, todas elas reclamando o legado espiritual do Profeta. Os muçulmanos, como se sabe, reconhecem Cristo como um dos profetas.

Os protestantes da Reforma também prescindiram de imagens sagradas, o que, sem embargo, não os impediu de exercer intolerância e violência contra os católicos, com sua inquisição - em tudo semelhante à de seus adversários.

Essa idéia que associa as diferenças étnicas e teológicas à filiação divina, tem sido a mais perversa assassina da História. Os povos, ao eleger a face de seu Deus, fazem dele cúmplice e protetor de crimes terríveis, como os de genocídio. O Deus de Israel, ao longo da Bíblia, ajuda seu povo, como Senhor dos Exércitos, a “passar pelo fio da espada” os inimigos, com suas mulheres e seus filhos. Quando Cortés chegou ao México, incitou os seus soldados ao invocar a Deus e a São Tiago, com a arenga célebre: “adelante, soldados, por Dios y San Tiago”.

Quando falta aos racistas um deus particular, eles, em sua paranóia, se convertem em seus próprios deuses. Criam seus mitos, como os alemães, na insânia de se considerarem os mestres e senhores do mundo. Dessa armadilha da loucura só escaparam os primitivos cristãos, mas por pouco tempo, até Constantino. A Igreja, a partir de então, se associou aos interesses dos grandes do mundo, e fez uma leitura oportunista dos Evangelhos.

A partir do movimento europeu de contenção dos invasores muçulmanos e do fanatismo das cruzadas, a cruz, símbolo do sacrifício e da universalidade do homem, se converteu em estandarte da intolerância. Nos tempos modernos, o símbolo se fechou - com a angulação dos braços, no retorno à cruz gamada dos arianos - em sinal definitivo e radical da bestialidade do racismo germânico sob Hitler.

Os fatos dos últimos dias e horas são dramática advertência da intolerância, e devem ser vistos em suas contradições dialéticas. O jovem francês que mata crianças judias e soldados franceses de origem muçulmana, como ele mesmo, é o resultado dessa diabólica cultura do ódio de nosso tempo aos que diferem de nós, na face e nas crenças. É um tropeço da razão considerar todos os muçulmanos terroristas da Al-Qaeda, como classificar todos os judeus como sionistas e todos alemães como nazistas. Ser muçulmano é professar a fé no Islã – e há muçulmanos de direita, de esquerda ou de centro.

Merah, se foi ele mesmo o assassino, matou cidadãos do moderno Estado de Israel, como eram as vítimas da escola de Toulouse, mas também muçulmanos do Norte da África, como ele mesmo. Os fatos são ainda nebulosos, e os franceses de bom senso ainda duvidam das versões oficiais, como constatou Teh Guardian em matéria sobre o assunto.

Em El Cajon, nas proximidades de San Diego, na Califórnia – uma comunidade em que 40% de seus habitantes é constituída de imigrantes do Iraque, uma senhora iraquiana, que morava nos Estados Unidos há 19 anos, foi brutalmente assassinada, com o recado de que, sendo terrorista, depois de morta deveria voltar para o seu país. O marido, também iraquiano, é, por ironia da circunstância, empregado de uma firma que assessora o Pentágono na preparação psicológica dos militares que servem no Oriente Médio. E também nos Estados Unidos, na Flórida, um vigilante de origem hispânica (embora com o sobrenome significativo de Zimmermann, bem germânico) matou, há um mês, um jovem de 17 anos, Travyon Martin, provocando a revolta e os protestos da comunidade negra.

Em Israel, o governo continua espoliando os palestinos de suas terras e casas e instalando novos assentamentos para uso exclusivo dos judeus. O governo de Telavive não reconheceu a admoestação da ONU de que isso viola os direitos humanos essenciais. Os Estados Unidos votaram contra a advertência internacional a Israel. Como se vê os direitos humanos só são lembrados, quando servem para dissimular os reais interesses de Washington e de seus aliados e dar pretexto à agressão a países produtores de petróleo e de outras riquezas, como ocorreu com o Iraque, a Líbia e o Afeganistão.

Os episódios de intolerância se multiplicam em todos os países do mundo – e mesmo entre nós. No Distrito Federal, segundo revelações da polícia, um grupo de neonazistas mantinha célula terrorista há cerca de trinta anos, associada a outros extremistas de todo o país. Na madrugada de 28 de fevereiro deste ano, em Curitiba, vinte jovens neonazistas assassinaram um rapaz de 16 anos, a socos, pontapés e facadas. O principal executor, um estudante de direito, foi escolhido para cumprir ritual de entrada no grupo, como prova de coragem. A coragem de matar um menino desarmado. Também em Curitiba e em Brasília foram presos dois racistas, que usavam a internet para expor as suas idéias fascistas e incitar a violência contra ativistas femininas, homossexuais, negros e nordestinos.

Enquanto não aceitarmos a face morena de Jesus, como a mais próxima da face do Deus - criada para dar transcendência ao mistério da vida - o deus que continuará a dominar a nossa alma será Tanatos, o senhor da morte.


Este texto foi publicado também nos seguintes sites:


http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2012/03/27/o-racismo-a-servico-do-imperio-euro-americano/

http://port.pravda.ru/mundo/30-03-2012/33199-racismo_eua-0/

http://www.conversaafiada.com.br/politica/2012/03/27/santayana-o-racismo-de-que-os-eua-gostam/

http://contextolivre.blogspot.com.br/2012/03/o-racismo-servico-do-imperio.html

http://www.patrialatina.com.br/editorias.php?idprog=d1d6a7eae40b025e869ac0853049efc2&cod=9540

http://www.jornalvanguarda.com.br/v2/?pagina=noticias&id=10530

http://pensarnetuno.blogspot.com.br/2012/04/o-racismo-de-que-os-eua-gostam.html

http://islam-maranhao.blogspot.com.br/2012/03/o-racismo-servico-do-imperio.html

http://religiosidadeafro.blogspot.com.br/

http://ecoepol.blogspot.com.br/

http://arededacidadania.wordpress.com/2012/03/31/mauro-santayana-racismo-religiao-e-tanatos/

http://carlosalbneto.wordpress.com/

http://izidoroazevedo.blogspot.com.br/2012/03/o-racismo-servico-do-imperio-euro.html

http://racismoambiental.net.br/2012/03/o-racismo-a-servico-do-imperio-euroamericano/

http://pscandiru.blogspot.com.br/2012/03/via-email-saraiva-13_28.html

http://saraiva13.blogspot.com.br/2012/03/o-racismo-servico-do-imperio.html