sábado, 15 de março de 2014

DE CÉREBROS E DE CYCLONES


(Hoje em Dia) - A desestruturação da Ucrânia – os ucranianos estão devendo 170 bilhões de dólares e os russos estavam dispostos a ajudar quando começou a sabotagem ocidental no país – criará graves problemas, do ponto de vista estratégico, para o Brasil.
O crescimento da influência norte-americana naquele país ameaça o desenvolvimento do projeto da  Alcantara Cyclone Space, que previa o lançamento de satélites por foguetes ucraniano-brasileiros de grande porte, da Base Espacial de Alcântara, a partir do ano que vem.
Em junho do ano passado, o governo federal autorizou o aumento do capital da empresa em um bilhão de reais, o que somado à contraparte ucraniana, chegaria a um bilhão de dólares. Dezenas de milhões já foram gastos, em obras, no Maranhão.
Embora projetado para uso comercial, o Cyclone pode ter utilização militar. O episódio da ACS, nos deixa duas lições – a primeira, de que devemos estreitar nossa cooperação espacial e militar com os BRICS – se tivéssemos feito acordo semelhante com a Rússia ou os chineses, no lugar da Ucrânia, não estaríamos nessa situação.
A segunda é a de que é muito mais efetivo - mesmo que leve mais tempo para dar resultados - importar maciçamente professores, técnicos e cientistas, do que peças como as de nossos foguetes que se encontram agora na Ucrânia.
Caberia, neste momento, ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, à AEB, ao INPE, ao Ministério da Defesa, com o auxílio da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, prepararem um plano emergencial para salvar esse programa.
Os chineses, que tinham acordos para a fabricação de armamento com os ucranianos, retiraram, discreta e rapidamente, nos últimos dias, seu segundo 12322 Bisonte, da classe Zubr - um gigantesco Hovercraft de desembarque, capaz de transportar, em água ou terra, sobre colchão de ar, uma brigada de assalto composta de vários pequenos blindados e de 400 homens - do território ucraniano.
Considerando-se a instabilidade na Ucrânia, e a perspectiva de um conflito militar com a Rússia, ou de uma guerra civil, é preciso transferir o que der do Cyclone 4 para o Brasil, começando pelos cérebros envolvidos no projeto.
Não apenas na área aeroespacial, mas na fabricação de tanques, navios, mísseis,  fuzis, metralhadoras, existem dezenas de empresas e centenas de especialistas que devem estar pensando, agora, em como sair da Ucrânia, para preservar seu  trabalho e a sobrevivência de suas famílias.
O MCTI, a ABIMDE, e as Empresas Estratégicas de Defesa, por meio de nossas representações em Kiev, Varsóvia, Berlim e Moscou, e do uso de redes sociais em russo e ucraniano, já deveriam estar tentando contatar e recrutar ao menos parte desses técnicos, e trazê-los para o Brasil.
Alguém duvida que os homens da CIA e do FBI que estão dando “assistência” ao novo “governo” ucraniano já não estão fazendo exatamente isso naquele país? 

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sexta-feira, 14 de março de 2014

A VOLTA DE BACHELET E A ALIANÇA DO PACÍFICO


(JB) - A chilena Michelle Bachelet tomou posse,  pela segunda vez, como Presidente da República do Chile.

A volta de Bachelet, da coalizão de centro-esquerda Nova Maioria, ao Palácio de La Moneda, e a saída do conservador Sebastián Piñera, representam nova derrota para a política norte-americana na região, além de um duro golpe para a Aliança do Pacífico, factoide criado pelos espanhóis e norte-americanos para funcionar como espécie de contraponto ideológico e midiático ao projeto, empreendido pelo Brasil e por outras nações, de união e integração continental.

Preocupados em marcar presença, os EUA enviaram o vice-presidente Joe Biden a Santiago. O Presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, fez questão, também, de comparecer pessoalmente, depois de passar pelo Equador, onde, fiel à sua aliança com Madrid, foi convidar Rafael Correa para participar da cúpula “ibero-americana” - outro factoide espanhol, cada vez mais desprestigiado - que será realizada no México, em Veracruz, no segundo semestre.  

Convidado por Bachelet, para compor seu governo, o novo ministro chileno das Relações Exteriores, Heraldo Muñoz, já deixou claro que haverá clara guinada na área, que deverá privilegiar a política regional e a recuperação do diálogo com os países mais próximos.

O deputado e ex-embaixador Luís Maira, um dos principais conselheiros de Bachelet em política externa, foi ainda mais direto. Acusou o governo Piñera de ter feito um estrago no âmbito das relações entre o Chile e seus vizinhos da América do Sul, com a intensificação dos conflitos territoriais com o Peru e a Bolívia; o distanciamento do Equador; e um quadro de relações virtualmente congeladas com o Brasil e a Argentina.
  
No caso particular de Brasília, a reaproximação não se fará, no entanto, apenas devido à afinidade pessoal e política entre Bachelet e Dilma.

Pragmática, e, sobretudo, inteligente, e sem a cegueira do preconceito ideológico, a nova presidente chilena sabe muito bem quais são as diferenças entre o Brasil e a Aliança do Pacífico, as forças e as condições que estão em jogo.

Ela tem conhecimento de que o México, nos últimos anos, deixou de contar entre os dez principais importadores de produtos chilenos. Assim como sabe que a corrente de comércio entre o Brasil e o Chile é quase o dobro da que existe entre chilenos e mexicanos. E não precisa ser empresária para entender que a confiança de chilenos e mexicanos na economia brasileira é tão grande, que o Brasil é o principal destino de investimentos chilenos no exterior – vidfe a comora da CTIS pela Sonda esta semana - e o mesmo com relação aos mexicanos, no âmbito latino-americano. Ou que o Brasil cresceu mais que o dobro do México nos últimos doze meses, ou ter em mente que – com todos nossos eventuais problemas – ainda somos a sétima economia do mundo – maior que toda a Aliança do Pacífico reunida - e o segundo maior mercado consumidor das Américas, depois dos EUA.

É improvável que o Chile abandone a Aliança do Pacífico devido à volta de Michelle Bachelet ao Palácio de La Moneda.


Mas Santiago se reaproximará decididamente da UNASUL e do Mercosul – organização da qual o Chile toma parte como membro associado – e vai abandonar  a tática – tão a gosto de Piñera – de pintar de dourado o andor de papelão da Aliança do Pacífico.

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quarta-feira, 12 de março de 2014

A OTAN E AS MATRIOSKAS


(Hoje em Dia) - Toda nação tem seus símbolos. Um dos mais tradicionais símbolos russos, à altura  de Dostoiévski, e de Pushkin, são as Matrioskas, as bonecas de madeira,  delicadamente pintadas e torneadas, que, como as camadas de uma cebola, guardam, uma dentro da outra, a lembrança do infinito, e a certeza de que algo existe, sempre, dentro  de todas as coisas, como em um infinito jogo de espelhos e surpresas.

Ao se meter no complicado xadrez geopolítico da Eurásia, que já dura mais de 2.000 anos, o “ocidente” esqueceu-se dos russos e de suas Matrioskas.

Para enfrentar o desafio colocado pela interferência ocidental na Ucrânia, Putin conta com suas camadas, ou suas Matrioskas.

A primeira camada, a maior e a mais óbvia, é o poder nuclear.

A Rússia, com todos os seus problemas, é a segunda potência militar do planeta, e pode destruir, se quiser, as principais capitais do mundo, em uma questão de minutos.

A segunda é o poder convencional. A Rússia dispõe, hoje, de um exército quatro vezes maior que o ucraniano, recentemente atualizado, contra as armas herdadas, pela Ucrânia, da antiga URSS, boa parte delas, devido à condição econômica do país, sem condições de operação.

A terceira, é o apoio chinês, a China sabe que o que ocorrer com a Rússia, hoje, poderá ocorrer com a própria China, no futuro, assim como da importância da Rússia, como última barreira entre o Ocidente e Pequim. 

A quarta Matrioska é o poder energético. Moscou forneceu, no último ano, 30% das necessidades de energia européias, e pode paralisar, se quiser, no próximo inverno, não apenas a Ucrânia, como o resto do continente, se quiser.

A quinta, é a financeira. Com 177 bilhões de superávit na balança comercial em 2013, os russos são um dos maiores credores, junto com os BRICS, dos EUA. Em caso extremo, poderiam colocar no mercado, de uma hora para outra, parte dos bilhões de dólares que detêm em bônus do tesouro norte-americano, gerando nova crise que tornaria extremamente complicada a frágil a situação do “ocidente”, que ainda sofre as consequências dos problemas que começaram – justamente nos EUA –  em 2008.

Finalmente, existe a questão étnica e histórica. Para consolidar sua presença nas antigas repúblicas soviéticas, Moscou criou enclaves russos nos países que, como a Ucrânia, se juntaram aos nazistas, para atacar a URSS na Segunda Guerra.

Naquele momento, o nacionalismo ucraniano, fortemente influenciado pelo fascismo, não só recebeu de braços abertos, as tropas alemãs, quando da chegada dos nazistas, mas também participou, ao lado deles, de alguns dos  mais terríveis episódios do conflito.


Derrotados pelo Exército Soviético, na derradeira Batalha de Berlim, em 1945, os alemães sabem, por experiência própria, como pode ser pesada a pata do urso russo, quando provocado.


E como podem ser implacáveis - e inesperadas - as surpresas que se ocultam no interior das Matrioskas. 

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http://jornalggn.com.br/blog/jota-a-botelho/o-jogo-de-xadrez-de-putin



terça-feira, 11 de março de 2014

O ANO QUATORZE


(Revista do Brasil) - Desde a criação do calendário, pelos sumérios, há quatro mil anos, o desenrolar dos acontecimentos deixou de depender exclusivamente do acaso, para incluir feriados e eventos religiosos e políticos que passaram a datar e servir de palco para a história.


O Brasil, neste décimo quarto ano do milênio, contará com dois grandes marcos desse tipo: a Copa do Mundo e as eleições de 2014.

Eles contribuirão para chamar ainda mais a atenção da população mundial para um país que já é importante, por si só, globalmente. Com todos os nossos problemas, e o complexo de vira-lata de amplos setores da sociedade brasileira, somos o quinto maior país em território e população, o segundo maior exportador de alimentos, a sétima economia e o terceiro maior credor individual externo dos Estados Unidos.


Tudo isso obriga não apenas a que o Brasil não possa ser ignorado, mas faz, também, com que nosso país seja cobiçado, e esteja sendo ferrenhamente disputado, nos mais variados aspectos da economia e da geopolítica, pelos principais blocos, nações e empresas do mundo.

O crescimento da dimensão política e econômica da  Nação, nestes primeiros anos do século XXI, transformou o Brasil na bola da vez de uma permanente batalha, entre espoliação e independência, o modelo que prevaleceu nos últimos 200 anos - e outras visões de mundo, voltadas para a busca de caminhos alternativos para a construção do desenvolvimento econômico e social da humanidade.


As antigas potências coloniais e neocoloniais, que lutam para manter nosso país, ou amplos setores dele, sob sua influência, sabem que esse embate se dará, na economia, na política, na comunicação, e tem plena consciência do que esta em jogo, no Brasil, neste ano.



Na economia, e de se esperar, que elas reforcem, nos próximos meses - sempre com a dedicada ajuda da grande mídia - o discurso de esvaziamento da importância econômica do Mercosul; de valorização de mitos neoliberais como o da Aliança do Pacífico; de fragilidade dos fundamentos de nossa macro economia; da existência de um suposto protecionismo brasileiro, teoricamente responsável pela diminuição de nosso percentual de participação no comércio mundial - para o qual só haveria um remédio - estabelecer rapidamente acordos de livre comércio com os países mais ricos.

Essa é a estratégia que deverá ser aprofundada nos próximos meses. Pressionar o país permanentemente, apresentando cada eventual percalço como fruto de um suposto afastamento, no sentido econômico e político, do Brasil com relação aos países “ocidentais”.

Assim, enquanto a mídia - nacional e internacional – distrai determinadas parcelas da opinião publica, com alertas sobre a Argentina, Nicolás Maduro e a “bolivarianização” do Brasil e do Mercosul, os EUA e a Europa aproveitam para avançar sobre nosso mercado interno, aumentando, como fizeram em 2013, seus superávits em 50% e 1.000%, respectivamente, para 11,4 e 5,4 bilhões de dólares.

As potencias ocidentais e aos seus prepostos não interessa divulgar que elas diminuíram quase que na mesma proporção suas importações de produtos brasileiros no ano passado.

Como não é conveniente ressaltar, também, o fato de que, no comércio com países “bolivarianos”, como a Venezuela e a Argentina, tivemos um superávit somado de mais de 10 bilhões de dólares em 2013, sem o qual teríamos tido um enorme deficit balança comercial.

O mesmo esforço, de distorção e manipulação, continuará ocorrendo, neste ano, com a “glamourização”, da Aliança do Pacífico, pseudo organização fomentada pelo México com a ajuda dos EUA e a Espanha, como a última limonada do deserto em termos de associação comercial. A situação real da AP é tão boa, que seu maior expoente - justamente o país de Zapata – teve um crescimento de 1,2% no ano passado, menos da metade dos 2,5% estimados, no mesmo período, para o Brasil.

Obedecendo á mesma estrategia, os meios de comunicação europeus e norte-americanos - secundados pela mídia conservadora brasileira e latino-americana - subirão o tom de sua campanha contra os BRICS, aproveitando momento em que  o Brasil ocupa a Presidência de turno, e organiza, como anfitrião, a Cúpula Presidencial que reunirá os lideres do Brasil,  Índia, China e Africa do Sul, em Brasilia, em junho deste ano.


Naturalmente, como ocorre com o nosso comércio com países como a Venezuela, a grande mídia devera ocultar ou relativizar a informação de que, nos últimos 12 meses, além  do Mercosul, foi também para a China, e não para os países ocidentais, que aumentamos fortemente nossas exportações, em 10,4%, e nosso superávit, para quase 9 bilhões de dólares.


Considerando-se o que estão ganhando por aqui, e natural que aumentem, também neste ano, as pressões favoráveis a uma rápida assinatura de um Acordo Comercial entre o Brasil – com ou sem Mercosul – e a União Européia, o que abriria as portas para futuro entendimento desse tipo com os próprios EUA.

Essa é uma hipótese que o Brasil terá que analisar sem pressa e com todo o cuidado. Somadas as remessas de lucro, estimadas em 24 bilhões de dólares em 2013, e o déficit de 26 bilhões no comércio exterior, apenas com a Europa e os EUA, já estamos contribuindo - sem ter assinado ainda esse acordo de livre comércio - com uma sangria de meia centenas de bilhões de dólares por ano para ajudar as potências ocidentais a enfrentar a crise em que se encontram.

Se compararmos esses 50 bilhões de dólares, com um ganho quase equivalente obtido pelo Brasil no comércio com  países emergentes - principalmente  América Latina, Caribe, BRICS e Mercosul - fica fácil perceber quem está nos espoliando, e com que tipo de parceiros é interessante nos associarmos, prioritariamente, no futuro.

Como está ficando difícil, para quem não abdica de continuar explorando, do jeito que puder, nossos recursos e mercado, colocar no poder governos direta e assumidamente alinhados com seus interesses, o objetivo, em 2014, continuará sendo sabotar institucionalmente o Brasil, mesmo que ele esteja gerando extraordinários ganhos.


A estratégia, nesse caso, passa não apenas pelo desmantelamento da imagem da nação do ponto de vista econômico, mas também pela promoção do caos, para dificultar a governabilidade, e colocar em questão, dentro e fora de território brasileiro, nossa capacidade de gestão e de realização. È essa linha de ação que alimenta a tese de que não estamos preparados para organizar grande eventos, como a Copa e as Olimpíadas, mesmo que, para fazer a omelete, quebrem-se alguns ovos, prejudicando também a imagem e a situação politico-administrativa de estados e municípios governados pela oposição, que estão envolvidos com a Copa do Mundo.

Não será de estranhar, portanto, se houver, nos próximos meses, infiltração, aproveitamento ou criação de novos “movimentos”, nos moldes dos rolézinhos, passíveis de se espraiar para as ruas, e eventuais ações voltadas para a intimidação do público turístico que nos visitará este ano, como a sabotagem dos sistemas de transporte e de hospedagem, o cerco a estádios, incêndios e fechamentos de ruas, etc.

A tudo isso, se soma a percepção, pelo cidadão comum, da ausência de um debate politico de melhor nível, que possa levar a discussão de propostas para a formatação de um novo projeto nacional.

Ate que ponto isso poderá influenciar a posição do eleitorado nas eleições de novembro?

O governo tem realizado avanços, mas, decide, cada vez, mais, sob pressão das circunstancias, dos meios de comunicação, do Congresso, da aproximação das eleições e de uma base aliada fragmentada, cada vez mais preocupada com seus próprios interesses do que com a situação do pais.


E a criminalização da politica - tema preferencial da grande mídia -  ajuda a distorcer ainda mais esse quadro, aos olhos do eleitor, nivelando todos os homens públicos por baixo e facilitando o trabalho de uma minoria radical, cada vez mais atuante, que odeia a democracia e sonha com a volta da ditadura e a derrocada do Estado de Direito. 

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quinta-feira, 6 de março de 2014

A ARQUITETURA DA BALCANIZAÇÃO


(JB) - O mundo vive horas perigosas. A Rússia enviou tropas para a Península da Criméia. O governo provisório que está no poder na Ucrânia convoca reservistas, enquanto oficiais e soldados se bandeiam para o lado russo, evidenciando a divisão do país. O G-8 suspende o encontro que estava programado para Sochi, na Rússia. A Alemanha e os Estados Unidos querem montar um “grupo de contato” para promover “negociações”, mas, em gesto  de aberta provocação, Washington envia o Secretário de Estado John Kerry a Kiev, para manifestar o apoio dos EUA aos rebeldes que tomaram o poder na capital ucraniana.


Se houver combate entre as tropas que estão entrando na Criméia para defender a população de origem russa que vive na região, e esses confrontos se degenerarem em prolongada guerra civil, a responsabilidade por esse novo massacre será dos Estados Unidos e da União Européia.


Seria inadmissível que Putin enviasse um senador para discursar diretamente aos  manifestantes do movimento Occupy Wall Street, en Nova Iorque,  como fez John Mcain no centro de Kiev, ou que os russos promovessem em Porto Rico a prolongada campanha de desinformação e provocação que o “Ocidente” está desenvolvendo há meses na Ucrânia, empurrando a parte da população que não é de etnia russa para um conflito contra a segunda maior potência militar do planeta e a maior da região.
  
A OTAN sabe muito bem que não poderá intervir militarmente - e atacar Moscou, que conta com milhares de ogivas atômicas, que podem atingir em minutos Berlim, Londres e Paris - para defender os manifestantes que ela jogou o tempo todo contra o governo ucraniano.


Sua intenção é levar o país ao caos, pressionando Yanukovitch a tentar recuperar o poder com apoio de Putin, para depois acusá-lo - junto com o líder russo - de déspota e de genocida, e posar de defensora dos direitos humanos, da liberdade e da “democracia”.  

Se conseguir alcançar seu objetivo de desestruturar o país, o “Ocidente” poderá somar os milhares de mortos, de estupros, de refugiados, e os bilhões de dólares de prejuízo da destruição da Ucrânia, a uma longa lista de crimes perpetrados nos últimos 12 anos, no contexto de sua Arquitetura da Balcanização.


Inaugurada nos anos 90, essa tática foi testada, primeiro, na eliminação da Iugoslávia e na sangrenta guerra que se seguiu, que acabou dividindo o país de Tito em Eslovênia, Croácia, Bósnia e Herzegovina, Macedônia, Montenegro, Sérvia, e em enclaves menores  como o Kosovo.


O mesmo processo de fragmentar, para dividir e dominar, destroçando o destino de milhares, milhões de idosos, mulheres e crianças,  foi mais tarde repetido no Iraque e no Afeganistão- jogando etnia contra etnia, cultura contra cultura -  no contexto da “Guerra contra o Terror” – montada a partir de mentiras como as “armas de destruição em massa” de Saddam Hussein, que nunca existiram.


O mesmo ocorreu, depois, na Tunísia, Líbia, Egito, Iêmen, Síria, a partir do macabro engodo da “Primavera Árabe” – também insuflada, de fora, em nome da “liberdade” - que, como maior resultado, colocou em poucos meses crianças que antes frequentavam, em condições normais, os bancos escolares, para comer – sob a pena de perecer de fome – a carne de cães putrefatos, recolhida nos escombros.


O objetivo da Arquitetura da Balcanização no entorno russo é gerar condições para a derrubada de regimes simpáticos a Moscou na região, promovendo o caos, a destruição, o ódio entre culturas e famílias que convivem há décadas pacificamente, para obter a sua divisão em pequenos países, que possam ser mais facilmente cooptados pela OTAN, com sua definitiva sujeição ao “Ocidente”.


Sua esperança é a de que, levando Moscou a intervir em antigas repúblicas soviéticas  - para proteger seu status geopolítico e suas minorias étnicas - os russos se envolvam em várias guerras de desgaste, que venham  a enfraquecer a Federação Russa, ameaçando a união social e territorial do país.  


Ao se meter na área de influência de Moscou, insuflando protestos em países que já pertenceram à URSS, a Europa e os EUA estão - como antes  já fizeram Hitler e Napoleão - cutucando o Urso com vara curta,  e empurrando, insensatamente, o mundo para a beira do abismo.


A Rússia de hoje, com 177 bilhões de dólares de superávit comercial no último ano, e o segundo maior exportador de energia do mundo – o que lhe permitiria congelar virtualmente a Europa se cortasse o fornecimento de gás nos meses de inverno – não é a mesma nação  acuada que era no início da guerra de 1990, quando os norte-americanos acreditavam, arrogantes, na  fantasia do “Fim da História” e em sua vitória na Guerra Fria.


A Federação Russa tem gasto muito para manter e modernizar sua capacidade de defesa e de dissuasão nuclear nos últimos anos. Putin sabe muito bem o que está em jogo na Ucrânia. E já deu mostras de que, se preciso for, irá enfrentar, pela força, o cerco da Europa e dos Estados Unidos.



Ele já provou que está disposto a levar até o fim, a decisão que tomou de não se deixar confundir, em nenhuma hipótese, com uma espécie de Gorbachev do Terceiro Milênio.   

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A GUERRA DOS SOFTWARES


(Hoje em Dia) - Na reunião da Cúpula Brasil-União Europeia, em Bruxelas, a Presidente Dilma discutiu, entre outros assuntos, a  construção de um novo cabo ótico ligando diretamente a América do Sul à Europa, sem passar pelos EUA.

Teoricamente, a intenção é aumentar a segurança das comunicações entre os dois continentes, evitando que os dados sejam facilmente interceptados pelos norte-americanos.

O cabo teria participação da Telebras, pelo lado brasileiro, e da empresa espanhola Islalink. Redes de comunicação de alta velocidade para se conectar com o mundo são, hoje, uma necessidade estratégica.

O Brasil já se associou a outros países sul-americanos, para a construção do Anel Ótico da UNASUL.

E, infelizmente, a Telebras, por falta de recursos – argumento inaceitável quando o BNDES empresta bilhões para multinacionais como a Vivo – acaba de retirar-se de uma parceria com a Angola Cables para construir um cabo ótico entre o Brasil e o continente africano.

O cabo Brasil-Europa pode ser uma boa ideia, mas teria sido melhor se a Telebras tivesse se associado a uma companhia estatal do outro lado do oceano, no lugar de escolher uma empresa privada, e ainda por cima espanhola, país que ficou conhecido nos últimos anos por sua abjeta sujeição aos EUA.

Para dificultar o trabalho dos espiões norte-americanos, no entanto, não basta que cabos como esse deixem de passar pelos EUA.

Dados são interceptados com o uso de vírus e malwares a todo momento, e só se pode vencer um software com o uso  de outro software para combatê-lo.

Esse é o caso do Sikur, um sistema desenvolvido por uma empresa gaúcha do mesmo nome, que está sendo usado pelo  Ministério da Justiça e que deverá se  estender para outros órgãos do governo.

Ele atua como uma plataforma online para escrever e receber recados que avisa por e-mail quando o usuário recebe uma mensagem. Como a mensagem só pode ser lida dentro da plataforma, vírus ou o serviço de e-mail do usuário não conseguem abrir, copiar ou interceptar os dados.

Além dessa plataforma, a empresa criou mais dois programas, o SK Vault, para guarda e intercâmbio de arquivos, e o SK Mobile, disponíveis na PlayStore e na Apple Store.
          
Se quisermos dar trabalho aos hackers que operam nas agências norte-americanas de inteligência e em instituições similares de outros países, teremos que desenvolver permanentemente nossos próprios programas e aplicativos.

Para que iniciativas como o Sikur se multipliquem, será preciso que o governo faça pesados investimentos em software nacional, desenvolvido por programadores brasileiros que tenham lealdade para com quem  encomendou o trabalho e amor pelo Brasil.

O software é o rifle de assalto, o submarino, o caça, o míssil, a ogiva nuclear da Guerra Eletrônica.