terça-feira, 30 de dezembro de 2014

O BRASIL, O "PETROLÃO" E O TRIANGULO DAS BERMUDAS.



(Revista do Brasil) - Nas ultimas semanas, o Brasil tem vivido sob o impacto das notícias da "Operação lava-Jato", que,  em busca de associar ao Mensalão, muitos chamam de Petrolão, esquecendo-se de que, enquanto se eleva esse novo escândalo ao posto de "o maior da história", outros parecem ter se escafedido em um imenso Triangulo das Bermudas, como se tivessem sido reduzidos a pedacinhos pelas lâminas de Freddy Krueger, ou abduzidos por alienígenas. 

Esse é o caso, por exemplo, do "Mensalão do PSDB" - perpetrado, de forma pioneira, com a ajuda do mesmo Marcos Valério, durante o governo do Sr. Eduardo Azeredo, em Minas Gerais. 

Esse é o caso do "Escândalo do Banestado", de desvio de mais de  100 bilhões de reais para o exterior, no qual foram indiciados vários personagens ligados ao governo FHC, incluído o Sr. Ricardo Sérgio de Oliveira, "arrecadador" de recursos de campanhas do PSDB, perpetrado, entre 1996 e 2002, também no Paraná, com a ajuda do mesmíssimo "doleiro" Alberto Youssef,  do atual escândalo da Petrobras.  

Esse parece ser também o caso, do Trensalão  do PSDB de São Paulo, que, apesar de ter tido mais de 600 milhões de reais das empresas envolvidas bloqueados pela justiça no dia  13 de dezembro, parece ter sido coberto por um Manto da Invisibilidade digno de Harry Potter, do ponto de vista de sua repercussão. 

Seria ótimo se - hipocrisias à parte - o problema do Brasil se resumisse apenas a uma briga entre "bonzinhos" e "malvados". 

Está claro que temos aqui, como ocorre em muitíssimos países, bandidos recebendo propinas no desvio de verbas públicas, atuando como "operadores" e facilitadores no trabalho de tráfico de influência, no superfaturamento e na "lavagem" de dinheiro e no envio de recursos para o exterior.  

E também empresários que se acostumaram, com o tempo, a pagar ou a ser extorquidos, a cada obra, a cada licitação, a cada aditivo de contrato, pelos "intermediários" e oportunistas de sempre, e que já sofrem sucessivas paralisações, atrasos e adiamentos nas grandes obras que executam, que ocorrem devido a razões que muitas vezes escondem interesses políticos que nem sempre correspondem aos do próprio país e da população.  

E padecemos, finalmente, ainda, da falta de coordenação e entendimento, entre os Três Poderes da República, em torno dos grandes problemas nacionais. 

Leis, projetos e obras que são essenciais para o futuro do País, não são discutidas previamente entre Executivo, Legislativo e Judiciário, antes de serem encaminhadas para aprovação e execução, o que acaba levando, nos dois primeiros casos, a relações de pressão e contrapressão que acabam descambando no fisiologismo e na chantagem e que afetam, historicamente, a própria governabilidade.        

Na contramão do que imagina a maioria das pessoas, com algumas exceções, ao contrário dos corruptos e dos "atravessadores", os homens públicos - incluindo aqueles que trabalham abnegadamente pelo bem comum - estão muito mais preocupados com o poder, para executar suas teses, ideias e projetos, ou apenas exercê-lo, simplesmente , do que com o dinheiro.  

No embate político, ter recursos - que às vezes chegam de origem nem sempre claramente identificada, pelas mãos de "atravessadores" que se oferecem para "ajudar" -  é essencial, para conquistar o poder, na disputa eleitoral, e nele manter-se, depois, ao longo do tempo.  

Esse é o elemento mais importante da equação. Mas ele só começará a ser resolvido se houver uma reforma política que proíba, definitivamente, a doação de dinheiro privado a agremiações políticas e candidatos a cargos eletivos, promova a cassação automática de quem usar Caixa 2 e aumente a fiscalização do uso dos recursos partidários ainda durante o período de campanha.  

Por mais que sejam importantes, e impactantes, as prisões dos corruptos envolvidos no escândalo da Petrobras e a recuperação dos recursos desviados, se não for feita uma reforma política, de fato, elas não impedirão que mais escândalos ocorram, no financiamento de novas campanhas, já nas próximas eleições. 

domingo, 28 de dezembro de 2014

O BEBÊ E A BACIA


(Hoje em Dia) - O senhor Robson Andrade, presidente da CNI, afirmou nesta semana que as denúncias que envolvem algumas das maiores construtoras do Brasil são pontuais e que a investigação e eventual punição desses atos não pode inviabilizar a continuidade de sua atuação em benefício do país.

Grandes empresas são estratégicas para qualquer nação. Se não fosse o trabalho de construtoras como a Mendes Júnior, na década de 1970, em países como o Iraque e a Mauritânia, com a ida para lá de milhares de técnicos e operários brasileiros, para construir ferrovias, rodovias e obras de irrigação, o Brasil não teria conseguido, naquela ocasião, enfrentar a crise do petróleo.

Não existe grande nação que não tenha grandes empresas e grandes bancos para apoiá-las, dentro e fora de seu território, na disputa com empresas e bancos de outros países.

A Suíça e a Nestlé e os seus bancos; os EUA e a IBM, a Boeing, a Northrop, a Microsoft ou a Monsanto; a Alemanha e a Bayer, a Basf, a Siemens, a Volkswagen; a Itália e a Fiat , a ENI, a Benetton e a Beretta; a Espanha e a Repsol, o Santander e a Telefónica. Nem uns existiriam sem os outros, nem nenhum deles são santos.

A diplomacia e a estrutura pública desses países e suas grandes empresas sempre se ajudaram mutuamente, para a conquista do mundo.

No Brasil ocorre o contrário.

Independentemente das investigações em curso, nos últimos anos parece que é pecado, ou proibido, que nossos bancos públicos, como o BNDES, a exemplo do que fazem os Eximbanks dos EUA e da Coreia do Sul; o Deustche Bank da Alemanha; a JFC e o JBIC do Japão, financiem e apoiem a expansão de empresas como a JBS-Friboi, a BRF, a Vale, a Totus, a Gerdau, e construtoras como a Odebrecht – que atua em dezenas de países do mundo – dentro e fora do Brasil.

Houve corrupção na Petrobras?

Que corruptos e corruptores sejam punidos. O que não se pode é paralisar e quebrar algumas das maiores empresas de capital nacional, porque, nessa hipótese, quem mais perderá será o Brasil.

Arrebentar com a competitividade do país na área de infraestrutura e construção pesada, destruindo alguns dos principais instrumentos estratégicos que temos para aumentar nosso poder e projeção no exterior, e mais particularmente, na África e América Latina – nosso espaço imediato de influência – é o mesmo que jogar pela janela a água suja da bacia, junto com o bebê que estava tomando banho, ou amputar os dois pés para combater uma infecção de unha.

Todos os grandes países do mundo combatem a corrupção de suas empresas. E – não sejamos hipócritas – muito mais a corrupção interna, realizada em seu próprio território, do que a externa, em território alheio.

Mas nenhum desses países deixou de apoiá-las com negociações e financiamento lá fora. Ou de exportar produtos, serviços e mão de obra por meio delas. Ou de usá-las, principalmente dentro e fora de suas fronteiras, para defender sua estratégia e seus interesses.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

VIM



Alados seres murmuraram meu nome,

e um brilho tênue anunciou-me antes,

entre milhões de outros,

na noite coalhada de cometas 

e estrelas,

estendida como um manto

sobre o vento e a areia.


Vim,

como muitos

antes de mim.


Para admirar-me

com as nuvens

e o correr do Sol e dos rios,

os lagartos e os peixes,

as serpentes e os escorpiões,

os trovões e os lagos,

e o egoísmo,

a violência e a injustiça

dos corações humanos.


Vim

para falar daqueles

que pisam sobre os outros,

dos que acumulam

riquezas e certezas

e se regozijam sobre fartas mesas,

enquanto seus escravos 

quase nada comem.


Vim para contar de golpes 

e de faces. 


De moedas, agulhas,

e camelos.


De peixes,  redes,

tempestades.


Da morte, 

do medo e da vontade.


De demônios e imperadores,

e reinos nunca vistos antes.


Se és daqueles que matas, 

discriminas,

calunias,

desprezas,

torturas, 

mentes,

enganas,

e roubas

em meu nome,

minha mão te espera,

ensanguentada e em chagas,

e não escaparás dela,

por mais que tenhas 

vestes e templos,

lanças e armaduras,

incenso ou ouro.


Se és daqueles 

que se satisfaz,

quando assaltas e tiras a vida,

e espancas teus irmãos e tuas irmãs,

e teu bastão 

se abate contra os indefesos,

e teu chicote 

corta a carne dos mais fracos,

em porões e prisões

como aquela em que estive um dia,

minha mão te espera,

ensanguentada e em chagas,

e será pesada,

por mais que carregues

escudos, 

correntes e espadas.


Se afirmarem que minhas ideias 

estão mortas, estarei vivo.


Se disserem  que estou fraco,

estarei mais forte.


Se falarem que ando com 

príncipes e ricos,

me encontrarão entre os desprezados,

no meio dos loucos e dos leprosos,

dos rebeldes e dos pobres.


Se és cruel,

hipócrita e injusto, 

cuida e teme.


Do alto da cruz,

meus olhos te contemplam.

E a alma em meu peito ainda geme,

suspira e luta,

enquanto meu coração, 

indignado,

treme.



quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

OS LIMITES DA LEI


(Jornal do Brasil) - O Senador Aécio Neves acaba de obter, na Justiça de São Paulo, importantíssima e histórica vitória, que não é apenas dele, como cidadão, mas da democracia, de modo geral,  em nosso país. 

O Juiz  Helmer Augusto Toqueton Amaral determinou a quebra do sigilo cadastral de 20 usuários do Twitter que, em mensagens divulgadas nessa plataforma digital, tentaram vincular o senador mineiro à prática de ações criminosas e ao uso de entorpecentes.

A atitude do Senador Aécio Neves e a decisão do Juiz Helmer Torquato deveriam servir de exemplo para outras personalidades políticas e outros magistrados em nosso país.

A Presidente Dilma Roussef tem sido chamada de assaltante de banco e de assassina - entre outros  ataques muito piores de caráter pessoal - sem que tenha  sido acusada disso, ou tenham sido apresentados qualquer prova ou indício nesse sentido, sequer no período em que esteve presa pela ditadura militar. 

José Genoíno tem sido insistentemente acusado de ter esquartejado pessoalmente vítimas no episódio da Guerrilha do Araguaia, sem que nada tenha sido provado contra ele quando foi preso no Pará. 

O ex-presidente Lula tem sido guindado à posição de dono de bilionários grupos econômicos privados, e nenhum deles, nem Dilma, nem Genoíno, nem Lula, sem falar em homens públicos de outros partidos, adotou a atitude corajosa que assumiu Aécio Neves, agora, ao encarar de frente e processar seus detratores, respondendo decisivamente a ataques dos quais tem sido vítima, há anos, na internet.

Ora, quem cala, consente, diz o dito popular. E uma mentira, se repetida indefinidamente, acaba por se transformar em verdade absoluta, como afirmava o acólito de Hitler Josef Goebbels, Ministro da Propaganda do III Reich.

Se há calúnias, não contestadas, que agridem, além do bom senso, apenas e diretamente as suas vítimas, mais graves, ainda, são os crimes de incitação ao racismo, à tortura, ao assassinato, à violência e ao golpe de Estado, que também tem sido perpetrados, impunemente, não apenas no Twitter, mas também no Facebook, no Google +, no Youtube e nos principais portais e meios de comunicação do país, em postagens e em comentários, sem nenhum controle por parte de "moderadores" ou do Judiciário.

A Lei 7.170 é  clara, e define como "crimes contra a Segurança Nacional e a Ordem Política e Social, manifestações contra o atual regime representativo e democrático, a Federação e o Estado de Direito." 

Cabe aos cidadãos de bem e a organizações como a OAB, denunciar os ataques que tem sofrido a democracia, e ao  Ministério Público e ao Judiciário, como um todo, atuar na linha de frente da defesa da Constituição e das instituições.  

Os absurdos que são escritos nos sites nacionais a cada momento - alguns chegam a ser constrangedores, pela vilania, ignorância, baixeza, vulgaridade e sordidez - são a prova maior de que vivemos claramente em uma nação em plena vigência do Estado de Direito, com a mais ampla liberdade de expressão e de opinião.       

Esses direitos, no entanto, não se aplicam à calúnia, ao racismo, e à apologia do golpismo, venha este de onde vier, com ataques ao regime democrático e à ordem constitucional.

A Lei dispõe de meios e de instrumentos, que precisam  começar a ser utilizados, para impor limites e punições a esse tipo de crimes. 

É preciso coibir a irrestrita farra de incitação à mentira, ao ódio e à violência, que tem se disseminado, até agora, impunemente, na internet brasileira.

domingo, 21 de dezembro de 2014

ENQUANTO MUITA GENTE CORRE DELAS, UM DOS HOMENS MAIS RICOS DO MUNDO MULTIPLICA SUA COMPRA DE AÇÕES DA PETROBRAS.


(Do Blog) - Enquanto, no Brasil, aplicadores correm da Petrobras, grandes investidores estrangeiros, confiantes em fatos como a inauguração da Refinaria Abreu e Lima, com capacidade para processar 230.000 barris de combustíveis e derivados por dia, já no primeiro trimestre de 2015; e a constante expansão da produção do pre-sal, estão aproveitando os baixos preços das ações da empresa, para fazer compras maciças que poderão lhes render bilhões de dólares em ganhos no futuro. 

George Soros, um dos homens mais ricos do mundo, aumentou em 84% a compra de ações da Petrobras, de junho para cá.  

Será que ele,  com uma fortuna pessoal de mais de 24 bilhões de dólares, está errado ao apostar na Petrobras? 

Na época da campanha para a última eleição, espertos fizeram fortunas, da noite para o dia, "jogando" com o sobe e desce das bolsas, ao ritmo da divulgação das pesquisas e das notícias dos jornais, enquanto incautos se desfaziam de ações de primeira linha, deixando de usar a cabeça, para se deixar influenciar pelo comportamento de "manada" e pela desinformação. 

Ao contrário do que muita gente acha, a campanha contra a Petrobras que está em curso - que não pode ser confundida com as investigações de corrupção na empresa - não vai quebrar a maior companhia brasileira nem tirar, por si só,  o atual governo do poder. 

Ela irá, apenas, aumentar a participação de estrangeiros na Petrobras, aproveitando a queda de preço das ações, já que eles não se deixam contaminar pelo "clima" reinante em alguns segmentos da opinião pública.

Como exemplo dessa contradição entre alguns investidores brasileiros e estrangeiros do ponto de vista da confiança no Brasil, vale lembrar a recente decisão da Jaguar e da Land Rover, de instalarem suas primeiras fábricas fora da Inglaterra por aqui; ou a da Nestlé Mundial de construir a sua primeira indústria de cápsulas de café das Américas em Montes Claros, Minas Gerais. 

Se as perspectivas no mercado brasileiro estão tão ruins, por que não foram para a Colômbia, por exemplo, que oficialmente está crescendo muito mais neste ano, e é membro do conhecido "factoide" Aliança do Pacífico?

Por falar em AP, nos oito primeiros meses deste ano, segundo a CEPAL, o Investimento Estrangeiro Direto caiu em 18%, no México, para pouco mais de 9 bilhões de dólares, enquanto aumentou 8%, para quase 50 bilhões de dólares, no Brasil.

Pesquisa divulgada esta semana pela FIRJAN - Federação das Indústrias do Rio de Janeiro, mostra que 47% dos empresários entrevistados vão manter seus investimentos em 2015, e que outros 41% pretendem aumentá-los no ano que vem.

    



    

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

A POLÍTICA E AS BACTÉRIAS



(Hoje em Dia) - Quando alguém se declara “apolítico”, ou diz que “odeia a política”, nos lembramos de que a palavra política deriva de Politeía, vocábulo relativo a tudo que acontecia nas antigas Polis, cidades-estado gregas, e da velha constatação aristotélica de que “o homem é um animal político”.


Querendo ou não, todo ser humano participa, no convívio, no aprendizado e no debate com outros seres humanos, da atividade política, mesmo quando não exerce nenhum cargo público, se assume “apolítico” e declara o seu “ódio” à política.


A política, como ocorre com Deus, para a maioria das religiões, está em todas as coisas, das maiores às que são aparentemente mais ínfimas.


Um estudo que acaba de ser divulgado pelo governo britânico, alerta que as superbactérias matarão, em poucos anos, mais que o câncer, e que o custo de seu tratamento chegará a 100 trilhões de dólares nas próximas décadas.


Foi a economia no combate à infecção hospitalar e a ausência de fiscalização rigorosa em hospitais públicos e privados, assim como o incentivo, durante anos, do uso indiscriminado e desnecessário de antibióticos em diversos países do mundo, incluído o Brasil, que deu origem à transformação destes organismos.


E é a mesma ausência de fiscalização e controle que está fazendo com que novas gerações de bactérias resistentes mesmo aos mais modernos medicamentos estejam ultrapassando os limites dos hospitais e postos de saúde, ameaçando transformar-se em uma pandemia, atingindo diretamente a população.


A Fiocruz, que já havia detectado, antes, por duas ocasiões, superbactérias no esgoto lançado clandestinamente, no rio Carioca, no Rio de Janeiro, acaba de anunciar que detectou sua presença também na água do mar, nas praias do Flamengo e de Botafogo, com possibilidade de que se multipliquem e acabem chegando ao Leblon, Copacabana e Ipanema.


Que turistas e banhistas deixem de frequentar o Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro, que as crianças não possam mais se sentar na areia, ali ou no vizinho bairro de Botafogo, que a Cidade Maravilhosa possa transformar-se, de chamariz, em ameaça para milhões de turistas que a visitam, é um absurdo.


A poluição de nossos rios e lagos, com a diminuição da oferta de água potável à população, e agora da orla marítima da segunda cidade do país, é uma questão ambiental, mas, como muitas outras mazelas de nosso país, também uma questão política, e tem que ser enfrentada com determinação e rapidez.


A população carioca deve mobilizar-se e exigir que os responsáveis sejam punidos e que o esgoto hospitalar seja tratado totalmente nos próprios locais em que é produzido.

Não se trata apenas de uma questão de saúde. Se houver uma epidemia, milhares de empregos e empresas estarão em risco, assim como as Olimpíadas de 2016. 

GOLPISMO, "COMUNISMO", HIPOCRISIA E REFORMA POLÍTICA.



(Revista do Brasil) - Nas últimas semanas, insatisfeitos com o resultado das eleições, golpistas que nos últimos anos praticavam seu ódio à democracia e às instituições pela internet têm convocado caminhadas pelo país, pedindo o impeachment da presidente Dilma Rousseff ou intervenção militar. 

Para tentar derrubar o governo, os novos golpistas fazem como fizeram os que os antecederam na história brasileira, que praticamente mataram Getúlio em 1954, tentaram inviabilizar Juscelino Kubitschek em 1955 e derrubaram João Goulart em 1964.

Apelam para o tosco, velho e surrado discurso anticomunista da época da Guerra Fria, que justificou crimes como os milhares de civis mortos e torturados no Chile, na Argentina, na Indonésia, e em conflitos prolongados e estéreis como a Guerra do Vietnã.

Dizer que é comunista um país em que o sistema financeiro lucra bilhões, em que as multinacionais fazem o mesmo e remetem fortunas para o exterior, em que qualquer cidadão pode montar um negócio a qualquer momento, com ajuda do governo e de instituições, como o Sebrae, e em que nossos armamentos são produzidos em estreita cooperação com empresas inglesas, norte-americanas, francesas, suecas, israelenses, é tremenda hipocrisia.

À oposição institucional cabe também agir com responsabilidade. Caso fosse adiante um pedido de impeachment, ou caso viesse a ser impedida por outras manobras a diplomação de Dilma Rousseff, a ascensão do vice Michel Temer à Presidência da República corroeria, em vez de ajudar, as chances de Aécio Neves de chegar ao Palácio do Planalto em 2019. E na remotíssima possibilidade de os golpistas terem sucesso por outros meios, jamais entregariam o poder ao ex-governador mineiro. Os mais radicais o desprezam e desconfiam de seu discurso anti-petista.

O problema do Brasil não é comunismo, como apregoam essa minoria extremista e alguns golpistas de plantão, em seus comentários nos portais e redes sociais. O que põe a opinião pública em estado de perplexidade é a corrupção. Esse mal nasce de uma acumulação histórica de defeitos no universo político, como o clientelismo e o fisiologismo, que vêm desde o Brasil Colonial. Sua raiz está na busca permanente do poder, por partidos e candidatos, e da necessidade de fontes de financiamento para suas campanhas. No caso da Petrobras, o próprio Ministério Público declarou que o esquema funciona desde 1999 – logo, ainda antes da chegada do PT ao poder.

Quando das manifestações de junho de 2013, Dilma lembrou a necessidade  de reformas que tirassem o país da dependência desse quadro de relações incestuosas entre o governo e o Congresso, e de se criarem mecanismos que permitissem maior espaço para a população manifestar seus anseios e interesses. Suas teses, no entanto, não prosperaram no Legislativo. Agora, que a reforma política volta à tona, o que importa é saber se teremos uma de fato, ou se uma reforma de faz de conta, comandada pelos grupelhos de sempre, com mudanças cosméticas para enganar a população.

O caixa dois não é mais do que uma extensão do financiamento eleitoral privado, e legal. O menos citado caixa um, que poderia ser suprimido por meio do financiamento público de campanhas, como prevê a proposta de reforma política defendida por entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e tantas outras entidades e movimentos com representação em amplos setores sociais.

No meio desse processo estão pilantras que aparecem para viabilizar “negócios” e “acertos”, extorquem recursos de empresas e irrigam, com parte dos recursos auferidos, candidatos e partidos. Eles não agem em nome do interesse público ou partidário, não são “azuis” ou “vermelhos”, nem “golpistas” nem “comunistas”. Se existisse um termo exclusivo para defini-los, seria simplesmente “corruptistas”, ladrões que se aproveitam das distorções históricas do atual sistema político.